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Nas malhas do sucesso

Depois de um aumento de 9,3% das exportações de tecidos em malha em 2010, para mais de 99,5 milhões de euros, o ano de 2011 começou com um crescimento de 38% das exportações deste tipo de produto em Janeiro, para os 8,91 milhões de euros, e de 30,2% em Fevereiro, para os 18,67 milhões de euros, revelando a importância que este sector tem para a Indústria Têxtil e Vestuário (ITV) nacional e a sua notoriedade em termos internacionais. Empresas como a Luís Azevedo & Filhos contam no seu portefólio de clientes com marcas tão conceituadas como a Lacoste, Burberry, Kenzo, Dior, Balenciaga, Isabel Marant e Inditex, que permitiram à empresa com um efectivo de 40 pessoas crescer 20% em 2010, para um volume de negócios de 7,8 milhões de euros. Para 2011, Sílvia Azevedo, administradora da Luís Azevedo & Filhos, acredita que «ainda temos margem para crescer», pelo que antecipa um aumento de 10% das vendas. Para além do factor moda e design, a inovação é outro motor dos bons resultados registados pelo sector das malhas em Portugal. A A. Sampaio & Filhos, por exemplo, desenvolveu recentemente malhas com a tecnologia Outlast, de regulação da temperatura, inicialmente desenvolvida pela NASA, que permite que o artigo têxtil resultante absorva, armazene e faça a gestão do calor, para maior conforto do utilizador. Esta tecnologia foi recentemente aplicada ao poliéster e vai permitir à A. Sampaio&Filhos explorar novos horizontes. O novo membro da família Outlast é uma fibra bicomponente com núcleo de PCM (material com mudança de fase) e revestimento de poliéster, que oferece a mais-valia de regular a temperatura associada às características da fibra de poliéster convencional (fibra de baixa absorção de humidade, gestão da humidade, resistência melhorada à ruga, resistência superior à luz, água e vento e durabilidade acima da média). O resultado é o aumento do conforto – os arrepios e a transpiração são atenuados graças à regulação óptima da temperatura. «Este novo desenvolvimento apresenta um potencial muito grande porque, como material, não tem concorrência directa no desporto. Deste modo, há muitas marcas do sector interessadas em desenvolver o conceito», explica João Mendes, administrador da A. Sampaio & Filhos, que emprega 210 pessoas e em 2010 registou um volume de negócios de 23 milhões de euros (mais 25% em comparação com 2009). Também a Lurdes Sampaio, que conta na sua carteira de clientes com nomes como COS (H&M), Massimo Dutti (Inditex) e Dior Baby, apresentou recentemente malhas com as novas fibras Kapok e o Crabyon. «O Kapok é a fibra natural com mais baixo peso específico, o que permite obter artigos muito leves em relação ao grau de cobertura que apresentam, enquanto o Crabyon é uma viscose onde foram incorporadas partículas de chitosan, o que confere protecção anti-bacteriana e benefícios dermatológicos», explica Paulo Pereira, director de I&D da empresa. Já a Fernando Valente SA, especialista em malhas, tanto para vestuário, swimwear e lingerie, como para o sector automóvel, nomeadamente os novos carros eléctricos, apostou na modernização dos seus equipamentos. «Fizemos uma revolução no parque de máquinas, tentando, assim, adaptar a empresa aos novos tempos», revela Fernanda Valente, administradora da Fernando Valente SA. «O mundo mudou muito, sentimos que hoje existe uma nova procura. Há uma deslocalização, mas de regresso à Europa», considera a administradora da empresa, que possui um efectivo de 40 pessoas e registou um volume de negócios de 4,8 milhões de euros em 2010.