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Nas rédeas da economia chinesa

A Gucci ressentiu-se da fraca prestação do mercado chinês, cuja fragilidade prejudicou as vendas da marca nesse território, repercutindo-se sobre o crescimento assinalado nos mercados europeu e japonês.

A marca de moda registou uma queda de 0,4% das vendas no terceiro trimestre do ano fiscal, face ao mesmo período do ano anterior, uma vez que as compras dos turistas chineses na Europa Ocidental e Japão apenas compensaram parcialmente os declínios assinalados noutras zonas do continente asiático.

O declínio esperado surgiu depois de uma surpreendente ascensão das vendas de 4,6% no segundo trimestre, impulsionada por saldos de coleções anteriores, particularmente na China.

Os investidores antecipam uma reformulação da marca Gucci sob a direção do novo presidente-executivo Marco Bizzarri e do diretor criativo Alessandro Michele, nomeados no início de 2015, cujos resultados se começarão a fazer notar no final do ano e, de forma mais notória, em 2016.

Jean-François Palus, diretor-geral do grupo Kering, que detém a marca, revelou que a procura dos clientes chineses desacelerou no terceiro trimestre, com o aumento das vendas na Europa e Japão a revelar-se insuficiente para compensar inteiramente a diminuição da receita na China Continental, em Hong Kong e na Coreia do Sul. «E não antecipamos qualquer melhoria», acrescentou.

As vendas da Gucci no terceiro trimestre aumentaram, em termos comparáveis, 27% e 24%, respetivamente, na Europa Ocidental e no Japão.

«Este trimestre foi um período de transição», explicou Jean-Marc Duplaix, diretor financeiro do grupo Kering. «Estamos agora a começar a colher os resultados da reorganização da marca», referiu, acrescentando que os novos modelos começaram a chegar às prateleiras no decorrer do mês passado.

Duplaix assumiu que não é ainda claro se a queda do mercado de ações chinês está a afetar a procura por bens de luxo, em território doméstico ou no estrangeiro. «Para mim, a correlação não é evidente», indicou aos repórteres após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre.

No início deste mês, o arquirrival LVMH revelou que o colapso do mercado de ações chinês afetou as vendas, particularmente na sua marca homónima Louis Vuitton.

O mercado de bens de luxo chinês tem ainda sido afetado por uma campanha governamental contra a corrupção.

«O Kering quebrou uma série de atualizações dececionantes por parte de empresas de luxo que começou na semana anterior e apresentou uma progressão de vendas orgânica no terceiro trimestre melhor do que a esperada, face a expectativas relativamente moderadas», resumiu Luca Solca, analista do Exane BNP Paribas.

As marcas Burberry e Hugo Boss também culparam a fraca procura em território chinês pela atualização dececionante de resultados revelada na semana anterior.

O total de vendas comparáveis do grupo Kering subiu 3,1% no terceiro trimestre, com forte crescimento da marca de moda francesa Saint Laurent.

A empresa indicou que o relançamento da marca de desporto Puma manteve o ritmo antecipado, reportando um aumento de receitas comparáveis de 3,9% durante o período.

Já no que diz respeito às marcas de relógios, que incluem a recém-adquirida Ulysse Nardin, o grupo Kering revelou que «continuaram a ser prejudicadas por um contexto de mercado desfavorável», mas os fabricantes de joias Boucheron, Pomellato e Qeelin registaram um crescimento de 11% do volume de negócios.

A empresa revelou ainda que a prestação da marca italiana de alfaiataria Brioni, adquirida há quatro anos, permaneceu «volátil».