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Naturapura concilia verde com negócio

De Janeiro a Março, os têxteis-lar da Naturapura, a convite do Bon Marché, vão integrar um projecto específico desta conceituada loja francesa. Além disso, a partir de Fevereiro, a Naturapura será uma das marcas em destaque no espaço Boutique Naissance das Galeries Lafayette, com um corner próprio. Trata-se da primeira marca têxtil portuguesa “intimada” pelas Galeries Lafayette a recriar o seu original universo no emblemático edifício do Boulevard Hausseman. No entanto, a marca não pretende descurar o seu sucesso no Japão, Alemanha, EUA e Finlândia, os seus principais mercados. «Actualmente estamos a ter resultados muito interessantes nestes mercados, onde registamos um crescimento sustentado. Mas este sucesso está associado ao excelente desempenho dos nossos parceiros nestes mercados», afirma António Ressurreição, administrador da Naturapura. «Estamos também a apostar na Suécia e na Dinamarca». O último grande investimento da Naturapura foi em lojas próprias. Actualmente, a marca dispõe de 2 pontos de venda: no Centro Comercial Colombo, em Lisboa, e no Arrábida Shopping, no Porto. «Um ano depois da sua abertura, a loja de Lisboa alcançou as metas fixadas, enquanto que a do Porto, inaugurada há 2 anos, precisa crescer pelo menos 20%». Procurando posicionar-se no segmento alto, a marca tem um público-alvo que mais do que um produto busca uma forma de vida em harmonia com a Natureza, respeitando os valores que a marca promove: o desenvolvimento sustentado do planeta, protegendo o meio ambiente, excluindo da sua produção elementos químicos e substâncias nocivas ? pesticidas, fertilizantes, tingimentos- geralmente utilizados na produção têxtil tradicional, e utilizando apenas matérias-primas 100% naturais. «Cada um de nós pode contribuir para construir um Mundo melhor, assumindo a sua responsabilidade social em recursos que são comuns», sublinha Ressurreição. A filosofia de vida que sustenta a Naturapura está hoje na ribalta da actualidade mundial, mas para António Ressurreição foram precisos quase 20 anos para transformá-la em negócio têxtil. «Nos finais dos anos 80 apercebi-me claramente que o modelo de empresa têxtil vigente tinha os dias contados», explica. «A primeira ideia que me veio foi desenvolver uma etiqueta tipo “green cotton”, para criar alguma diferenciação. Como ninguém na altura valorizou esta sugestão resolvi fazer o percurso sozinho, que se materializou na Naturapura em 1999». Deste modo, para permanecer no negócio o desafio foi reinventar o têxtil. No entanto, a visibilidade que os movimentos ecologistas começaram a adquirir por essa altura, deixando antever uma nova consciência ambiental, veio em defesa da sua causa. «Era para mim claro que havia aqui uma tendência, o desafio era transformá-la num negócio», declara. «Dezasseis anos depois não tenho dúvidas que em face desses acontecimentos e das mais recentes tomadas de posição de proeminentes figuras públicas como Al Gore no filme “Uma verdade Inconveniente” e Tony Blair com o relatório Stern confirma-se que há aqui uma janela de oportunidade. Deste modo, o conceito Naturapura posiciona-se hoje como uma resposta favorável à envolvente actual». Duas décadas depois, a tendência ultrapassou o fenómeno de moda e tornou-se uma forma de vida para muitos consumidores. No entanto, o seu plano de expansão é pautado pela sustentabilidade das acções e a racionalização dos custos. «Recusámos o convite da Pitti Bimbo para participar no certame porque não temos ainda o parceiro adequado para o mercado italiano», explica. «A nossa presença nas feiras é feita com base no seu valor intrínseco e na nossa capacidade de execução. Nenhuma empresa responsável deve sustentar os seus projectos em sistemas de apoio e incentivos. Estes devem apenas funcionar como uma alavanca financeira». Entre os seus projectos mais recentes, encontra-se o lançamento de uma linha de vestuário para grávidas, que veio assim complementar a sua gama de produtos. Além disso, a marca, em parceria com a Elle, está a desenvolver uma colecção de homewear baptizada Elle Organic. Todos estes projectos deixam antever um futuro optimista. «Em 2006 crescemos cerca de 40% em relação a 2005, mas no próximo ano esperamos duplicar o volume de negócios graças aos novos projectos», conclui o administrador da Naturapura.