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ndia lança repto ao luxo – Parte 2

À falta de locais de qualidade para o retalho de luxo, acresce ainda as elevadas tarifas aplicadas sobre os bens importados, que podem aumentar os preços em mais de 25% em comparação com o Dubai ou Singapura, e a enraizada desconfiança em relação a marcas estrangeiras, proveniente de uma época em que os importadores locais vendiam mercadorias desactualizadas a preços excessivos. «Em relação à desconfiança dos consumidores, as marcas podem apenas responsabilizar-se a si próprias», explica Mohan Murjani, presidente do Murjani Group. «As marcas têm que satisfazer o consumidor ao nível do preço, da oferta, e da experiência completa – uma pequena loja numa esquina de um hotel não responde a estas exigências», acrescenta Murjani, que no ano passado abriu o maior espaço de luxo da índia, uma loja Gucci com 315 metros quadrados. «Os consumidores vão simplesmente comprar em Paris ou em Singapura», sublinha o presidente do Murjani Group, observando que os indianos gastam cerca de 500 milhões de dólares por ano em artigos de luxo no estrangeiro, quase a mesma quantia que gastam no mercado nacional. O dinheiro é gasto principalmente em relógios, perfumes, óculos de sol, artigos em pele e vestuário masculino, pois as mulheres indianas ainda favorecem o vestuário e as jóias tradicionais do país, apesar do crescente número de estrelas de Bollywood que aparecem com roupa de designers ocidentais «A índia possui uma forte tradição no vestuário e nas jóias de luxo, portanto devia ser mais fácil vender o conceito», sutenta D’Arpizio, acrescentando que «mas a preferência é para o valor intrínseco das jóias, em vez da marca, portanto um Cartier ou um Tiffany terão dificuldade em penetrar no mercado». No entanto, há esperança para os retalhistas de luxo. O ministro indiano do comércio afirmou recentemente que estava «seriamente a considerar» permitir aos retalhistas estrangeiros a plena propriedade das suas unidades no país. Um analista legislativo refere que esta abertura não é tão polémica como se poderia prever, na medida em que não ameaça as pequenas lojas familiares nem os comerciantes. Para além da eventual abertura do mercado, existe alguma pressão por parte da UE para reduzir os impostos de forma a responderem aos requisitos da OMC, e estão a aparecer novos espaços de retalho em Bombaim, Bangalore e Nova Deli, incluindo a Emporio Mall, o primeiro complexo de luxo, com tectos em ouro e soalhos em mármore. «No longo prazo, o aumento dos salários e a expansão económica nos mercados emergentes como a índia, proporcionarão muitas oportunidades para os retalhistas de luxo», afirma Claudia D’Arpizio da Bain & Co. O mercado de luxo na índia vai provavelmente crescer a uma taxa média anual de 25% durante os próximos cinco anos, atrás apenas da China, com um crescimento de 30% e do Brasil com um crescimento de 35%. Embora os super-ricos indianos possam parecer melhor isolados da crise financeira que tem restringido o apetite por artigos de luxo, vão ser cada vez mais difíceis de seduzir. «A índia tem o seu próprio conceito de tempo para absorver as mudanças. Não é suficiente organizar uma bela festa e falar sobre a distinção da marca. Pode demorar 10 anos, talvez mais, para construir alguma coisa e a maioria das empresas não quer esperar 10 anos», conclui Neville Tuli, presidente da casa de leilões Osian em Bombaim.