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ndia no vermelho

O aumento do preço das matérias-primas, a falta de apoio governamental e o declínio na procura nos EUA estão a prejudicar a indústria têxtil indiana. Trinta e três das principais empresas têxteis indianas registaram um prejuízo cumulativo de 1,52 mil milhões de rupias (cerca de 23,59 milhões de euros) no primeiro trimestre (Abril a Junho) do actual ano fiscal, em comparação com o lucro de 1,45 mil milhões de rupias no mesmo período do ano passado. As principais empresas têxteis, como a Raymond e a RSWM Ltd. registaram prejuízos, enquanto que a Vardhaman Textiles, a Alok Industries, a KPR Mill e a Sutlej Textiles registaram um declínio acentuado dos seus lucros. A performance da indústria jÁ estava em declínio no ano passado devido à desvalorização de quase 12% do dólar em relação à rupia. Os preços de diferentes variedades de algodão bruto aumentaram quase 40% em 2008, com a Shankar-6, a benchmark, a vender 356 kg a 28.500 rupias em Junho, quando em Outubro de 2007 custava apenas 21.985 rupias, o que significa um aumento de quase 30%. Devido à recessão nos EUA, os importadores estão a pedir descontos. Neste cenÁrio, a indústria interna não pode passar o aumento do custo das matérias-primas para os seus clientes», revelou DK Nair, secretÁrio-geral da Confederação da Indústria Têxtil Indiana (CITI). As importações têxteis para os EUA no período de Janeiro a Junho desceram 4%, para os 32,99 mil milhões de dólares, contra os 34,38 mil milhões de dólares no mesmo período do ano passado. O custo das matérias-primas aumentou substancialmente. Cerca de um terço do nosso algodão bruto é exportado e as fÁbricas do país ficam numa situação difícil. O custo da electricidade também aumentou e as empresas são forçadas a usar os seus próprios geradores jÁ que a maior parte dos Estados não são capazes de fornecer electricidade adequada», explica Sunil Jain, presidente da Associação de FÁbricas Têxteis do Norte da índia. Após relatos de que as fÁbricas estão a despedir trabalhadores devido ao elevado custo do algodão, o Governo decidiu eliminar a taxa de 14% na importação de algodão. Além disso, o Governo ordenou que todas as exportações de algodão sejam registadas junto do comissÁrio têxtil. A decisão de eliminar a taxa de importação sobre o algodão surgiu em Julho e as capacidades das fÁbricas têxteis no primeiro trimestre de 2008 foram sub-utilizadas devido à escassez de algodão bruto a preços competitivos», revelou Prem Malik, presidente da Texprocil. O impacto da decisão governamental pode ser verificado nos próximos meses, apesar da maior parte do algodão disponível no mercado para esta estação jÁ ter sido comprado. As hipóteses das empresas conseguirem um bom negócio esta época não são, por isso mesmo, muito boas, pelo menos até a nova colheita chegar ao mercado, segundo Malik. Além disso, os preços do algodão, de acordo com os analistas, devem aumentar novamente, devido à falta de chuva que poderÁ prejudicar as colheitas. A situação da indústria de fio não é diferente, tal como revelam os players indianos, jÁ que o governo não tem prestado atenção aos pedidos da Associação de Fiandeiros Indianos (AFI) para reduzir as taxas de fibras sintéticas de 8 para 4%. O preço da fibra de poliéster aumentou 20% no mercado interno no primeiro trimestre de 2008/09. Se forem incluídos os preços em Março de 2008, o aumento chega aos 31%. Os elevados prejuízos das fÁbricas de fiação vão continuar e muitas pequenas fÁbricas podem mesmo ter de fechar se o governo não prestar atenção à procura da indústria», afirma VK Ladia, presidente da AFI.