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ndia quer manter preferências

Com as negociações da Ronda de Doha a decorrer, a índia estÁ a solicitar aos membros da Organização Mundial de Comércio a manutenção das condições preferenciais de acesso ao mercado dos EUA e da União Europeia para 65 artigos têxteis. Os EUA e a UE têm uma flexibilidade especial para proteger 65 produtos têxteis sensíveis de qualquer corte imediato assim como para solicitar um período de implementação mais longo para ajudar os países que estão dependentes de preferências. Estes países, africanos e não só, exigiram desde sempre que o acordo de Doha não prejudicasse as suas preferências não-recíprocas, os programas que pretendem ajudar os países em desenvolvimento a escoar os seus produtos, dando-lhes acesso a taxas de exportação mais reduzidas e que são fundamentais para a indústria destes territórios. Segundo os negociadores, os EUA e a UE usaram com sucesso a carta da erosão de preferências» para proteger os seus produtos têxteis sensíveis de qualquer redução de tarifas nos primeiros dois anos, tendo solicitado igualmente um prazo mais prolongado, de sete a nove anos, para reduzir as taxas. Numa jogada para apaziguar os países em desenvolvimento, como o Paquistão e o Sri Lanka, que não beneficiam destas preferências e exportam praticamente sob as mesmas linhas tarifÁrias para esses países que concedem preferências», o presidente das negociações da Ronda de Doha (acesso ao mercado não-agrícola), o embaixador Don Stephenson, colocou como condição que as taxas de cinco artigos têxteis sejam reduzidas em cinco ou seis anos. Mas outros países em desenvolvimento, como a índia, que são também afectados pela flexibilidade acordada pelos EUA e a UE sob as chamadas preferências não-recíprocas, querem assegurar que não hÁ erosão no acesso ao mercado para elas sob o esquema GSP, que é uma “janela” mais acessível para exportar para estes dois grandes mercados, e que as regras de acesso ao mercado não são alteradas, segundo afirmou o Business Standard. Durante a sessão de negociações entre 30 países da Room D sobre o último esboço revisto das propostas, a índia também sustentou que os países que actualmente exportam para os EUA e a UE devem ter os direitos de negociação iniciais sob o Artigo 28 se os dois principais negociadores decidirem aumentar subsequentemente as tarifas. Actualmente, a índia atravessa diversas dificuldades. Após a valorização da rupia ter atingido a indústria têxtil indiana, é agora a inflação e o aumento dos custos das matérias-primas que estão a assombrar a indústria, que estÁ ainda a enfrentar a concorrência feroz de países como a China, Vietname, Cambodja e Sri Lanka. O maior desafio para a indústria é o custo. Embora o aumento dos preços do petróleo seja um fenómeno global, os preços de todas as matérias-primas, incluindo o carvão, estão a subir. Isso pôs muita pressão na indústria», afirmou Nitin Mandhana, vice-presidente e director da Indus Fila numa conferência de imprensa em Bangalore. Os preços do carvão na índia duplicaram no último ano. O trabalho estÁ também a ficar muito caro. Por isso estamos a perder a nossa vantagem de custo. Para permanecermos no topo no mercado mundial, temos de criar valor para nós próprios em termos de eficiência de produção e desenvolvimento», afirmou. Com a situação a melhorar em termos monetÁrios, este pode ser um período bom para a indústria, afirmou Mandhana, até porque, segundo refere, a índia tem boas capacidades de design e eficiência de gestão nos têxteis. Em termos de produção de algodão, a índia jÁ superou os EUA, e estÁ a par com a China, realçou Atul Ujagar, director regional da Nike índia, Sri Lanka e Paquistão. As exportações têxteis totais da índia atingem cerca de 30 mil milhões de dólares por ano. Destas, o vestuÁrio pronto-a-vestir constitui apenas 8 a 9 mil milhões de dólares. Isto é muito pouco em comparação com a China, que exporta 350 a 500 mil milhões de dólares em vestuÁrio», observa Ujagar. A índia deve dar um empurrão à indústria têxtil assegurando infraestruturas de qualidade e tecnologia, afirmou.