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Nearshoring nos EUA só com diversificação

A integração vertical na produção de vestuário, com uma cadeia de valor a montante, e a expansão para diferentes tipos de artigos são essenciais para que as marcas e retalhistas americanos abandonem o sourcing na China e procurem alternativas mais perto de casa.

[©ProNicaragua]

As empresas de vestuário próximas dos EUA que estão a tentar roubar quota de mercado aos produtores chineses têm de responder à infraestrutura de produção de tecidos e expandir-se para mais categorias se querem convencer as marcas a relocalizarem-se, afirma a empresa de análise de mercado Global Data.

A discussão sobre o nearshoring intensificou-se com a declaração de guerra comercial dos EUA à China e a chegada do Covid-19, com mais marcas a procurarem deixar a potência produtora para reduzirem o risco da interrupção da cadeia produtiva e impulsionarem as suas capacidades de chegada ao mercado ao trazerem a produção para locais mais próximos de casa, como a América Central e a América do Norte.

No entanto, poucos conseguiram com sucesso mudar a produção a grande escala da China. De acordo com os dados do comércio dos EUA, nos primeiros nove meses de 2020, apenas 9,1% das importações de vestuário dos EUA foram provenientes do acordo de comércio livre com a América Central e a República Dominicana (CAFTA-DR), em comparação com 10,3% em 2019, enquanto 4,4% vieram de membros do acordo EUA-México, em comparação com 4,5% em 2019. A China ainda tem a maior quota do mercado de vestuário dos EUA, com 39,93% em 2019.

[©South China Morning Post]
Hannah Abdulla, correspondente de vestuário na Global Data, afirma que «uma coisa que tem beneficiado os produtores chineses ao longo dos anos é a sua oferta diversificada e a sua capacidade de integrar verticalmente as suas cadeias de aprovisionamento».

Já na América Central, «os produtores de vestuário dominam na produção de camisolas em malha em algodão ou fibras sintéticas, por isso apenas atraem marcas cuja penetração nessa categoria é elevada. A China opera como “faz-tudo” se quisermos e há uma verdadeira conveniência nisso para os compradores, entre outros fatores», acrescenta.

Como tal, resume Hannah Abdulla, o entusiasmo «com o nearshoring existe e há uma verdadeira oportunidade para os produtores atraírem as marcas da China para outros locais mais perto de casa. Contudo, para serem verdadeiramente competitivos, têm de se expandir para mais categorias. As marcas que são capazes de aprovisionar múltiplos produtos de uma única localização terão maiores incentivos para mudar».