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Negócio com licença

As licenças relacionadas com figuras da banda desenhada são presença quase obrigatória no guarda-roupa de todas as crianças. E os motivos passam não só pelo marketing e publicidade mas também por questões emocionais. Você acredita talvez que é a sorte ou uma boa campanha de marketing que faz o sucesso de um novo herói junto das crianças?», questionava hÁ alguns dias a pediatra Edwige Antier perante uma plateia de profissionais dedicados às licenças. Arrisca-se a ser muito simplista», previne ela. Um personagem torna-se o herói das crianças do mundo inteiro se as crianças se identificarem com ele pelas mensagens que falam directamente ao seu mundo imaginÁrio. Do Peter Pan ao Rei Leão, do Polegarzinho ao Harry Potter, do E.T. ao Nemo, do Mickey à Dora, cada um responde, por uma estranha alquimia, à angústia da separação, ao medo do abandono, ao sentimento de culpa, de fraqueza e a outras tantas emoções», explicou Edwige Antier no último fórum dos profissionais dedicados a licenças. A organização do evento, a Kazachok, decidiu aproveitar o evento para levantar o véu sobre os resultados do seu primeiro barómetro de licenças realizado em colaboração com o Institut des Mamans. Qual o peso das licenças nas famílias? Em que sectores estão mais presentes as licenças? Quais são as cinco principais licenças de acordo com a idade das crianças? Questões às quais a nova ferramenta oferece algumas respostas precisas. Em jeito de introdução, é imediatamente apresentada uma conclusão óbvia: as licenças invadiram a vida das famílias. Nos 1.500 lares (com crianças entre os 0 e os 14 anos) onde foram realizados inquéritos e que são representativos da população francesa, apenas 3% não possuíam qualquer artigo de licença. Presentes quase em todos os lares, as licenças começam desde o nascimento e acompanham as crianças ao longo de todo o seu crescimento. Nos últimos seis meses, 93% dos lares receberam uma licença para as suas crianças dos 0 aos 3 anos. Desde a mais tenra idade, o consumo de licenças diz respeito a quase toda a gente. As famílias receberam ou compraram em média quatro licenças diferentes ao longo deste período para as suas crianças dos 0 aos 3 anos», explicita Virginie Foucault, directora de desenvolvimento do Institut des Mamans. Com a idade, o consumo aumenta: culmina em 98% para os 4-10 anos. Esta penetração cobre uma média de 7 licenças recebidas nos primeiros seis meses. Depois, a partir dos 11-14 anos, as licenças começam a perder (um pouco) de importância. No entanto, mantém-se ainda um bom consumo: 3 licenças em três quartos das famílias. Em média, cada lar possui cinco licenças diferentes para as suas crianças. Os principais consumidores (17% dos lares) possuem até 12. Estas respondem a um perfil tipo. São famílias com vÁrios filhos (duas ou mais crianças), de categoria sócio-profissional mais baixa, com uma mãe relativamente mais velha (40 anos ou mais). Estas famílias consomem as licenças em todos os sectores de actividade, e particularmente nos da higiene e beleza ou no calçado, categorias mais abandonadas pelas outras famílias», constata Patricia Gelin, fundadora do Institut des Mamans. Nos 10 sectores analisados, três estão no topo: os jogos, os têxteis e a edição. No entanto, a hierarquia do trio evolui segundo a idade da criança», sublinha a especialista. Os têxteis perdem terreno à medida que a idade da criança aumenta. Sem discriminar a idade, fica em segundo lugar, depois dos jogos e antes da edição, com uma taxa de penetração de 70% nos lares. A cada idade seu herói Dos 0 aos 3 anos, os têxteis sob licença são precedido pelos jogos. Mesmo assim, beneficiam de uma taxa de penetração de 69% nos lares. No top 5, estão as personagens Winnie, the Pooh, Strawberry Shortcake, Dora, Noddy e Homem Aranha. Nos 4 aos 10 anos, os têxteis ficam no terceiro lugar do pódio, atrÁs dos jogos e da edição. O top 5 também se modifica: o Homem Aranha fica no topo das licenças, seguido da Dora, Strawberry Shortcake, Cars e da Pucca. Por fim, nos 11-14 anos, os têxteis ocupam o quinto lugar, largamente ultrapassado pela edição, os jogos de vídeo, os materiais escolares e os jogos. Nos principais heróis, a Pucca fica no topo, seguida dos Simpsons, Hello Kitty, Homem Aranha e Titeuf. Historicamente reservadas a colecções de grande difusão, as personagens das licenças fazem uma entrada notÁvel no universo das lojas e das marcas de gama alta. Como, para adulto, do Hobbs e Paddington, de Eric Bompard e de Keroro, de Antik Batik e do Tweety. HÁ certamente uma inclinação das marcas a “popularizarem-se” para animarem um universo, tocarem um novo consumidor, adquirirem reconhecimento junto de um novo valor. é uma tendência de fundo que o anúncio de colaboração do Petit Nicolas com a concept store Colette vem confirmar», sublinha Nathalie Chouraqui, directora associada da Kazachok. Relativamente às crianças, a tendência progride igualmente. Na média e alta gama, a Victoria Couture, que assinou em 2006 a licença mundial Hello Kitty Luxe com o grupo Sanrio para o desenvolvimento de uma colecção de gama alta com a figura da conhecida gata, constata o sucesso. As vendas on-line da linha de criança Hello Kitty Luxe registam progressões impressionantes: 700% em 2007 em relação a 2006. E de 200% a 300% esperados em 2008 em relação a 2007», anuncia Jack Melki, gerente da sociedade Victoria Couture. A colecção, 150 modelos por estação, para crianças e adolescentes dos 0 aos 16 anos, é jÁ distribuída em 600 pontos de venda de gama alta, dos quais uma centena em França, nas 12 lojas da Victoria Couture e nos grandes armazéns Printemps e Galerias Lafayette.