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Negócio e moda de mãos dadas

Moda é criatividade, inovação, originalidade, desejo. Mas é também negócio e a vertente comercial é indissociável do sucesso dos criadores. Miguel Vieira e Luís Onofre são dois exemplos de sucesso nesta junção entre o design de moda e as vendas, mas outros seguem-lhes as pisadas. Anabela Baldaque, Carla Pontes, Elisabeth Teixeira, Júlio Torcato, Katty Xiomara, Luís Buchinho, Concreto, Vicri e Dom Colletto foram algumas das insígnias presentes no showroom Brand Up, um espaço comercial no Portugal Fashion por onde passaram 30 compradores profissionais nacionais e internacionais e muitos anónimos interessados em comprar vestuário de designer. «Hoje nem se deveria falar em fazer um desfile sem haver um showroom em paralelo porque não faz sentido tanto investimento em imagem sem ter depois um retorno financeiro, que divulgue a marca num patamar mais comercial», considera Luís Buchinho. Em declarações à Lusa, o criador, que tem duas lojas no Porto, referiu mesmo que «não há nada como fazer compras no calor de um desfile. Os compradores poderem ver a coleção, como é que ela veste, qual é a sua imagem global, qual é o conceito da coleção criada para a estação e no dia seguinte verem a coleção no showroom e poderem fazer encomendas para as terem passado quatro meses». Do lado dos mais novos, Carla Pontes, que esteve presente no Brand Up, valoriza as várias iniciativas da Anje no apoio à comercialização das criações dos jovens criadores. «É importante para qualquer designer ter esta perspetiva de comercialização e, nesse aspeto, a Anje tem-nos dado um apoio incrível, ao proporcionar-nos o desenvolvimento e a força para não nos ficarmos pelo desfile. Não pretendo fazer coleções para depois guardá-las no armário», sustentou a jovem criadora. O trabalho de Carla Pontes foi mesmo elogiado por Emilio Vasquez-Toro, comprador da Le New Black, à Lusa, que destacou que «o nosso objetivo também é descobrir novos criadores que as pessoas não conheçam, porque os compradores vão sempre a Nova Iorque, Paris e às principais feiras e showrooms», explicou. Vasquez-Toro foi um dos 16 compradores internacionais convidados pela Anje para conhecerem as marcas presentes no Brand Up. «Estou impressionada como os designers conseguem trazer a sua própria diferença às suas criações. Trazem sempre algo único. Nunca se sente que eles copiaram o que quer que seja. Aqui em Portugal sinto que as coisas são novas e que vêm de algo pessoal», afirmou Mary Hoang, da plataforma on-line “Not just a label”, que trabalha já com Daniela Barros. Motivos mais do que suficientes para Manuel Lopes Teixeira, presidente da comissão executiva da Anje, fazer um balanço positivo da iniciativa. «Foi feito um grande esforço para garantir a presença de agentes de compras estrangeiros, de forma a promover a internacionalização da moda portuguesa fomentando as relações comerciais além-fronteiras de criadores e marcas», afirmou. «No Porto Fashion Show estive na mesa com vários designers que têm coleções lá e estavam muito contentes não só com as vendas mas com os contactos que fizeram», destacou.