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Negócio milionário põe Supreme nas mãos da VF Corp

A aquisição da marca de streetwear anunciada ontem é um dos negócios do ano, estipulando um pagamento de mais de 2 mil milhões de dólares para que a Supreme passe a integrar um portefólio que já inclui a Vans, a Timberland e a The North Face.

Supreme x The North Face [©Supreme]

A VF Corp anunciou que irá pagar 2,1 mil milhões de dólares (cerca de 1,77 mil milhões de euros) pela Supreme, podendo ainda haver lugar a um pagamento de mais 300 milhões de dólares caso sejam atingidos determinados objetivos.

O anúncio levou as ações da VF Corp a subirem cerca de 13% durante a tarde de ontem, para 78,94 dólares, segundo a Reuters.

Conhecida pelo logótipo com um retângulo vermelho e “Supreme” escrito a branco, a marca foi elevada a um estatuto de culto pelos chamados “hypebeasts” ou fãs do estilo de streetwear, com o lançamento de produtos variados, desde camisolas com capuz a capas para telemóvel que esgotam em minutos e criam filas enormes à porta das suas 12 lojas.

A aura de escassez dos produtos ajudou a Supreme a ser muito valorizada entre os jovens e permitiu-lhe cobrar preços mais altos do que outras marcas como a Vans ou a Nike. «Este modelo de escassez, novidades e forte influência social suporta um significativo poder de preço resultando na melhor rentabilidade da classe», explica o CEO da VF Corp, Steve Rendle.

Do online à China

A VF Corp acredita que o mercado de streetwear, que está avaliado em cerca de 50 mil milhões de dólares, é uma oportunidade e que a Supreme está no epicentro deste mercado, acrescenta Steve Rendle. O executivo adianta ainda que o acordo com a Supreme vai ajudar a impulsionar o negócio de comércio eletrónico, que se tornou mais premente para os produtores de vestuário e calçado devido à pandemia de Covid-19.

[©Supreme]
«A aquisição da marca Supreme é mais uma validação da nossa visão e estratégia para evoluir ainda mais o nosso portefólio de marcas, para se alinhar com as oportunidades de mercado completamente acessíveis que vemos no sector do vestuário e calçado. A marca Supreme vai acelerar ainda mais a transformação do modelo de negócio hiper-digital da VF», destaca Rendle.

O CEO foca ainda a oportunidade de crescimento que a Supreme pode ter na China, onde ainda não tem presença. «Há uma forte procura na Ásia e [o objetivo é] ser capaz de trabalhar com as nossas equipas para perceber qual é a melhor forma de envolver os consumidores aí e ser capaz de partilhar isso com a equipa da Supreme, para lhes permitir serem capazes de tomar decisões que impulsionem o negócio no dia a dia», indica Steve Rendle, acrescentando, contudo, que não pretende fazer mudanças. «Estamos aqui para apoiar e possibilitar um conjunto de ações estratégicas muito pensadas num negócio de elevada performance», sublinha.

Já James Jebbia, o fundador da marca, que se irá manter na liderança juntamente com a atual equipa de executivos, afirma estar «orgulhoso de nos juntarmos à VF, uma empresa de classe mundial que é a casa de marcas fantásticas com que trabalhamos há anos», salientando que «esta parceria vai manter a nossa cultura única e a nossa independência, ao mesmo tempo que nos vai permitir crescer no mesmo caminho que estamos a percorrer desde 1994».

Um modelo de negócio de milhões

A Supreme, que colaborou com diversos nomes proeminentes da moda, incluindo a Louis Vuitton, a Nike, a Levi’s e Yohji Yamamoto, faz mais de 60% do seu volume de negócios online.

A aquisição, que deverá ficar concluída no final deste ano, deverá contribuir para um aumento de pelo menos 500 milhões de dólares no volume de negócios e de 0,20 dólares por ação em lucros ajustados no ano fiscal de 2022.

Supreme x Timberland [©Supreme]
A Supreme não fornece publicamente os números do negócio, mas o seu braço europeu, sediado no Reino Unido, é obrigado a publicar contas anuais, que mostram um rápido crescimento e margens elevadas nos últimos anos. No ano até ao final de janeiro de 2019, o negócio europeu da Supreme tinha registado um volume de negócios de 100 milhões de libras (cerca de 110,8 milhões de euros), apesar de ter apenas duas lojas, e a margem de lucro bruta ascendia a 44% – um valor bem mais alto do que outras marcas de streetwear como a Vans, a Abercrombie & Fitch ou até marcas de luxo como a Gucci, revelam as contas.

Os analistas têm questionado se a Supreme será capaz de manter os seus preços premium, uma vez que os produtos estão a tornar-se mais disseminados, mas houve mais otimismo após o anúncio desta segunda-feira.

«A Supreme é uma marca de streetwear forte… e embora a marca tenha sido construída com base na atratividade da sua escassez, acreditamos que o mercado vai ficar entusiasmado com o perfil de crescimento e de margens e da sua contribuição para a VF Corp», destaca Jaime Merriman, analista da Bernstein, à Reuters.

A VF Corp, por seu lado, registou uma queda de 18% do volume de negócios do segundo trimestre deste ano, para 2,6 mil milhões de dólares, que levou a uma queda de 60% do lucro líquido, para 256,7 milhões de dólares, em comparação com 649 milhões de dólares no mesmo período do ano passado.