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Negócios à italiana

A produtora italiana de roupa interior de luxo La Perla entrou em conversações exclusivas com o grupo de moda Calzedonia para a venda de uma quota maioritária que poderá ajudar a La Perla, atualmente em terreno vermelho, a relançar-se nos mercados internacionais. As empresas revelaram, num comunicado conjunto, que estão a analisar os termos de um possível negócio com o objetivo de preservar postos de trabalho em Itália, ao mesmo tempo que equacionam a abertura de lojas na Ásia, Rússia e América Latina. Fundada em 1956 por um confecionador de corpetes em Bolonha, a La Perla foi comprada em 2008 pelo fundo americano de private equity JH Partners, que investiu cerca de 50 milhões de euros na empresa. A La Perla tem procurado possíveis parceiros desde o final de 2012, uma vez que necessita de liquidez para reduzir a dívida e abrir 160 lojas nos próximos três anos. Conhecida pelos seus corpetes em renda de 500 euros, a La Perla registou um volume de negócios de 107 milhões de euros em 2012, ligeiramente abaixo do ano anterior. As vendas do primeiro trimestre estão em linha com 2012, revela a empresa. A La Perla é apenas uma das marcas italianas que estão a tentar encontrar investidores para financiar a sua expansão no retalho além-fronteiras, numa altura em que o acesso ao crédito está extremamente restrito e as vendas estão cair no mercado italiano. O grupo vende mais de 67% dos seus produtos na Europa, com a Ásia a representar 16% e os EUA 17%. A também italiana Calzedonia, que detém ainda as marcas de roupa interior Intimissimi e Tezenis e concorre com a conterrânea Yamamay, é distribuída em 30 países através de uma rede de vendas em franchise. Tal como as cadeias de retalho H&M e Zara, a Calzedonia oferece lingerie e beachwear colorido a preços acessíveis com um forte foco na moda. Os sindicatos acolheram bem as notícias do início das conversações, já que temem pelo futuro dos cerca de 300 funcionários da La Perla em Itália. «A Calzedonia é um grupo têxtil e de moda e sabe o que está a fazer. E ajuda que seja italiana», afirmou Rossana Carra, do sindicato Femca Cisl, à Reuters.