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Net-a-Porter nas mãos da Yoox

O grupo Richemont, até agora proprietário da Net-a-Porter, irá receber 50% do Grupo Yoox Net-a-Porter, mas os seus direitos de voto serão limitados a 25%, colocando os negócios efetivamente nas mãos do Yoox. «Hoje abrimos as portas da maior loja de moda de luxo online do mundo. É uma loja que nunca fecha, uma loja sem fronteiras geográficas», afirmou a fundadora do Net-a-Porter, Natalie Massenet, que irá ficar responsável pelo conteúdo editorial do grupo enquanto presidente-executiva do conselho de administração. O fundador, diretor e sócio minoritário da italiano Yoox, Federico Marchetti, irá tornar-se diretor-executivo e será responsável pela estratégia do grupo. «Entre nós, mudamos de alguma forma a indústria da moda e vamos continuar a mudá-la», revelou Marchetti aos jornalistas numa conferência que teve lugar hoje. A indústria online de bens de luxo ainda está na sua infância, representando apenas cerca de 5% das vendas totais do luxo, porque muitas marcas têm adiado a expansão na Internet por temerem não conseguir oferecer a mesma experiência de luxo como nas lojas. Mas muitos executivos acreditam agora que a Internet redesenhou as fronteiras entre as marcas de luxo e será fundamental para impulsionar as vendas futuras, sobretudo entre os chamados “millennials”, ávidos consumidores de Internet nascidos entre 1980 e 2000. O luxo online não é, contudo, ainda muito rentável, segundo a Reuters: tanto as margens operacionais da Yoox como as da Net-a-Porter são inferiores a 5% em comparação com mais de 25% da maior parte das marcas de luxo, como a Gucci. Mas as duas empresas esperam que maior dimensão ajude a diminuir os custos com armazéns, logística, back-office e distribuição, aumentando consequentemente as margens. O acordo pode também ter outros objetivos mais estratégicos. Os analistas afirmam que o negócio pode ajudar a aumentar as hipóteses da Yoox reter marcas de luxo que de outra forma poderiam levar as suas operações na Internet para dentro de portas assim que ganhassem experiência. Atualmente, a Yoox opera as vendas online de marcas de moda como Ermenegildo Zegna, Bottega Veneta e Saint Laurent, vendendo também artigos com desconto. «Estou otimista em relação ao mercado online de luxo. Acredito que é uma mudança estrutural que irá ganhar força à medida que as gerações mais jovens de diretores “voltados para o digital” chegam ao topo», referiu Gian Luca Pacini, da instituição bancária Intesa Sanpaolo, de Milão. «Nenhuns outros players se equiparam à Yoox/Net-a Porter em extensão de sourcing, base de clientes, conhecimento e relações com o luxo», consideram, por seu lado, os analistas do Citi. A Net-a-Porter, que é vista como a grande impulsionadora das compras online, que conjugou com uma experiência de entretenimento, especializou-se em moda da estação atual, mas também aconselha os consumidores em relação ao estilo e à forma como podem usar e combinar as peças. Publica ainda a revista de moda Porter. Marchetti acredita que a Net-a-Porter terá a mesma avaliação do que a Yoox assim que o negócio ficar concluído em setembro. Os analistas avaliaram a Net-a-Porter em cerca de 1,5 mil milhões de euros, acima da Yoox, que estava avaliada em 1,32 mil milhões de euros na passada sexta-feira, antes de começarem a ser publicadas notícias que davam conta de um potencial acordo. Os dois negócios juntos irão gerar um Ebitda (ganhos ajustados antes de juros, impostos, depreciação e amortizações) de cerca de 108 milhões de euros em 2014 e sinergias anuais de cerca de 60 milhões de euros no terceiro ano completo, sustentam as duas empresas. Se os acionistas da Yoox aprovarem o negócio em junho, o novo grupo irá lançar uma oferta de direitos preferenciais de subscrição de cerca de 200 milhões de euros no outono para financiar o crescimento, com o grupo Richemont a dever financiar metade dessa soma, segundo um porta-voz do grupo suíço.