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New Look constrói marca global

Anders Kristiansen, CEO da New Look, afirmou que «todos os retalhistas estão a ter um período extremamente difícil na Rússia e não apenas no vestuário, mas em todas as partes do retalho», acrescentando que «decidimos que não é a região em que queremos investir». A decisão, apesar de relevante, não foi uma surpresa. Há três meses, a empresa fez a alusão de que a Rússia já não fazia parte da sua estratégia, por causa da situação de instabilidade política do país. Anders Kristiansen revelou que o parceiro de franquia russo da New Look está «sob muita pressão» e que o negócio está a fechar, acrescentando que, embora ainda esteja uma loja aberta, em breve irá encerrar. O momento é fundamental, sublinha o CEO. «Preferimos esperar. Se isso significa que não estaremos presentes no mercado russo durante os próximos um ou dois anos, não temos efetivamente um problema com isso», reconheceu. Anders Kristiansen indicou ainda que «a energia, o empenho e o dinheiro que tínhamos posto de lado para a Rússia, estamos agora a canalizar para a China, porque na China estamos excecionalmente bem». A New Look possui atualmente 14 lojas na China e continua no bom caminho para ter 20 lojas neste país no final do atual exercício financeiro, com 30 previstas para o próximo ano. As declarações do CEO foram realizadas após a New Look ter registado uma subida de 89,1% no lucro antes de impostos do primeiro semestre, para 26,1 milhões de libras esterlinas. As vendas online cresceram 36,4%, com o próprio website a aumentar 30,3%. Apesar de um aumento de 4,7% na receita, Kristiansen referiu que a empresa terá um segundo trimestre mais calmo do que o primeiro, devido ao impacto de um clima mais quente na venda de produtos de inverno. Mas observou que a retalhista está preparada para lidar com isso com a sua cadeia de aprovisionamento cada vez mais rápida, acrescentando ter capacidade instalada para manter as vendas de produtos com diferentes condições climatéricas em distintos pontos do planeta. Segundo Anusha Couttigane, analista da Conlumino, o desempenho da New Look ao longo dos últimos seis meses encontra-se em «forte contraste» em relação a muitos retalhistas de moda que foram afetados pelo recente tempo quente. «A taxa de resposta da equipa de merchandising da New Look dá-lhe uma vantagem sobre os retalhistas que confiam demasiado nos ciclos de planeamento rígidos e indica os benefícios sustentados das mudanças que a New Look fez na sua cadeia de aprovisionamento, com o objetivo de maximizar a flexibilidade», explicou Couttigane, realçando que «isto é “fast fashion” efetivo – não é apenas importante responder às tendências, trata-se de ser capaz de responder às necessidades dos consumidores em tempo real».