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Newplaids sem fronteiras

Europa, EUA, Canadá ou Rússia são apenas alguns dos destinos das mantas, colchas e cobertores produzidos pela Newplaids, que quer continuar a crescer pelo mundo fora.

O nome pode ser ainda pouco familiar, sobretudo numa indústria marcada por empresas com história, mas engana-se quem acha que a Newplaids é uma debutante nos têxteis-lar. Embora tenha sido fundada em 2011, a empresa de Mira d’Aire é a sucessora da Têxteis Moinhos Velhos (criada em 1978) e traz consigo o know-how acumulado de várias décadas. «A Newplaids é uma indústria recente, mas pegou na antiga Têxteis Moinhos Velhos, ficamos praticamente com a empresa», contou, num artigo publicado na edição de outubro do Jornal Têxtil, Miguel Chareca, um dos diretores da empresa.

O core business da Newplaids manteve-se, com a produção dedicada às mantas (as “plaids” que compõem o nome) e aos cobertores, em materiais tão diversificados como acrílico, lã, algodão e misturas. «Temos o nosso próprio departamento de criação de desenhos», afirmou Miguel Chareca.

A mais-valia da Newplaids não se esgota, contudo, na criatividade, expandindo-se também ao sector produtivo, onde é vertical «a partir da matéria-prima até ao produto embalado e rotulado consoante a vontade do cliente», explicou o diretor.

A fiação que tem dentro de portas está dedicada ao acrílico e à lã, inserindo-se na tradição da região. «Mira D’Aire fazia muito os lanifícios nas décadas de 60 e 70, sobretudo para fatos», revelou Miguel Chareca. O processo fica completo com a urdissagem, a tecelagem, os acabamentos e o embalamento.

Com a tónica na qualidade, a produtora de têxteis-lar, que emprega 100 pessoas atualmente, exporta 97% da produção para todo o mundo, com destaque para os mercados da União Europeia, EUA, Canadá e Rússia, numa lista de clientes que inclui a Zara Home e o El Corte Inglés, mas também grandes armazéns alemães. «Temos grande versatilidade, tanto em maquinaria como em design», sublinhou Miguel Chareca. «É muito trabalhoso mas consegue-se ir ao agrado de diferentes tipos de clientes – várias matérias-primas, vários preços,… Somos muito versáteis», destacou.

Com a Heimtextil como uma das ferramentas de contacto com os clientes internacionais, a Newplaids registou, em 2016, um volume de negócios à volta dos 3 milhões de euros e, em 2017, esse valor será, pelo menos, para manter, tendo em conta os primeiros seis meses do ano. «O mercado tem estado dentro da normalidade, com praticamente o mesmo volume de negócios, talvez um ligeiro crescimento», indicou o diretor da empresa.

Apesar de tudo, os objetivos são «sempre crescer» e, como tal, estão a ser realizados «lentamente» investimentos para aumentar a produção. «Vamos tentar crescer dentro das possibilidades que temos. Não posso pôr metas, porque na nossa área de negócio e nos nossos clientes, tudo isto depende de muitos fatores. A empresa é quase 100% exportadora, está sujeita às condicionantes de outros países, no caso da Turquia, se abre fronteiras, se não abre, do Brexit, do dólar…», enumerou.

Para já, o ano tem uma tónica positiva, até porque as variações no mercado americano têm pouco ou nada afetado o desempenho da Newplaids. «Os nossos clientes trabalham connosco há vários anos na base da confiança, dos nossos produtos e da nossa resposta, de entregas e de serviços, portanto não notamos assim grande oscilação», admitiu Miguel Chareca, que apontou um outro fator importante para o desenvolvimento da empresa. «Mostramos mais o que fazemos, há clientes que nos veem, que nos pesquisam na Internet… Estamos satisfeitos», assegurou ao Jornal Têxtil.