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Next abranda mas não para

A retalhista britânica Next revelou recentemente que as negociações seriam difíceis em 2017, depois de relatar um novo mergulho nas vendas trimestrais que forçou a empresa a depender de uma redução de custos mais severa para manter a sua previsão de lucro.

O CEO Simon Wolfson afirmou, em declarações à agência Reuters, que o clima de consumo deverá continuar hostil na Grã-Bretanha com a subida da inflação e com uma provável quebra nos lucros. «O cenário macroeconómico não é animador», referiu Wolfson. «É provável que tenhamos mais um ano com um ambiente de consumo difícil», acrescentou.

A Next, que gere uma rede de 540 lojas na Grã-Bretanha e na Irlanda, espaços franchisados no estrangeiro e canal online, foi a retalhista mais bem-sucedida da última década no sector do vestuário na Grã-Bretanha, mas advertiu em março que 2016 poderia ser o seu ano o mais difícil desde a crise de 2008 (ver Dias cinzentos no retalho) e as ações da empresa caíram um terço este ano.

Simon Wolfson explicou que a procura tem vindo a desacelerar desde outubro de 2015, altura em que o CEO identificou um afastamento dos consumidores em relação aos gastos em vestuário e um movimento contrário em relação a viagens e outro tipo de experiências. O mês de setembro mais quente do que o habitual abalou também as vendas a preço total na Next no terceiro trimestre, que caíram 3,5%.

Não obstante, os 6 milhões de libras esterlinas (aproximadamente 6,8 milhões de euros) conseguidos com uma redução de custos centrada, sobretudo, na eficiência de armazém, fez com que a previsão de lucro para 2016-2017 permanecesse inalterada nos 805 milhões de libras. Em 2015-2016, a retalhista arrecadou 821 milhões de libras.

Esta previsão, juntamente com os relatórios da Next de um regresso ao crescimento das vendas em outubro, resultaram numa subida de 5% nas ações. Por sua vez, as ações da rival Marks & Spencer subiram 2,5%.

Wolfson reiterou que, «no pior dos cenários», os preços de custo do vestuário aumentariam até 5% em 2017 devido à queda da libra desde o Brexit. Todavia, os planos de investimento da Next não foram alterados pelo referendo, com o CEO a considerar que existe um mercado para novas lojas em 2017.

«Tudo se resume a saber se queremos construir uma economia aberta ou fechada. Se o governo optar por construir uma economia aberta com uma abordagem positiva ao comércio e ao investimento e à imigração economicamente produtiva, então acho que temos todas as oportunidades de ter um enorme sucesso com isto», concluiu o CEO Simon Wolfson, um dos apoiantes do Brexit.