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Next antecipa um 2017 difícil

Face a um 2016 marcado por encerramentos de lojas e maus resultados, a gigante do retalho britânico Next não foi capaz de recuperar durante a quadra natalícia e anunciou que as vendas a preço total em novembro e dezembro caíram 0,4%.

A Next, que gere uma rede de 540 lojas na Grã-Bretanha e na Irlanda, espaços franchisados no estrangeiro e canal online, foi a retalhista mais bem-sucedida da última década no sector do vestuário na Grã-Bretanha mas, em março último, o CEO Simon Wolfson afirmou, em declarações à agência Reuters, que 2016 poderia ser o seu ano o mais difícil desde a crise de 2008 (ver Dias cinzentos no retalho).

Wolfson explicou então que a procura tem vindo a desacelerar desde outubro de 2015, altura em que o CEO identificou um afastamento dos consumidores em relação aos gastos em vestuário e um movimento a favor de viagens e outro tipo de experiências. O mês de setembro, mais quente do que o habitual, abalou também as vendas a preço total na Next no terceiro trimestre, que caíram 3,5% (ver Next abranda mas não para).

Agora, a gigante do retalho de moda e artigos para o lar revelou que as vendas a preço total nos três meses até 24 de dezembro caíram 0,4%, gorando as expectativas de uma reviravolta no quarto trimestre e de uma subida de 2,2%.

Face aos resultados desapontantes, a Next admitiu recentemente aos jornalistas estar preparada para «tempos ainda mais difíceis» em 2017. As ações da empresa caíram 12,5% nas primeiras negociações em Londres.

«Os resultados refletem um arranque difícil em 2017», explicou o analista da Bernstein, Jamie Merriman, ao portal Just-style. «Esta orientação alinha-se com a nossa visão de que um consumidor mais fraco em 2017 levará a um ambiente de vendas ainda mais difícil para os retalhistas», acrescentou.

Houve, no entanto, alguns destaques positivos: as vendas no Next Directory (online) cresceram 3,6% no período, a Next UK (incluindo a Label) subiu 1,4% e as vendas nos mercados externos aumentaram 18% em relação ao ano passado.

A Next anunciou, contudo, que os lucros para o ano até ao final de janeiro deveriam cair em torno de 3,6% em relação ao período homólogo, para 792 milhões de libras (aproximadamente 931 milhões de euros). As vendas a preço total da retalhista britânica para o ano deverão cair 1%, dentro de um intervalo de uma quebra de 1,75% e uma subida de 1,25%. No pior dos cenários, a cadeia de moda acredita que os lucros podem cair quase 14% até janeiro de 2018.

Como causas, a Next voltou a citar as pressões da desvalorização da libra em consequência do Brexit, sendo que grupo já havia referido poder vir a aumentar os preços até 5% (ver Next sobe preços).

A retalhista acrescentou ainda que «2017 parece ser mais um ano desafiante. Portanto, estamos a preparar a empresa para tempos mais difíceis». A Next ressalva que, apesar de uma temporada difícil, o stock para os saldos de fim de temporada foi «bem controlado e 3% mais pequeno do que o do ano passado».

As próximas semanas serão cruciais. «A nossa orientação para o lucro do grupo este ano é de 792 milhões de libras, isto pode aumentar ou diminuir em 7 milhões dependendo do comércio em janeiro», afirmou a empresa.