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Next aumenta preços

A retalhista de moda britânica Next antecipa uma subida dos preços entre 2016 e 2020, de forma a compensar o aumento do Salário Mínimo Nacional imposto pelo governo, assim como a inflação salarial prevista já para a próxima primavera.

A previsão surge na sequência da recente divulgação dos resultados semestrais da Next, com o lucro depois de impostos a crescer 7,5%, para 277 milhões de libras esterlinas, no período encerrado a 25 de julho, em comparação com o valor de 257,7 milhões de libras assinalado no mesmo período do ano anterior.

O desempenho foi impulsionado pelo segmento Next Sourcing, através do qual a retalhista compra mais de 40% dos produtos, tendo assistido a um crescimento de 12% das vendas, para 304,2 milhões de libras esterlinas, com margem operacional de 7,5%, ante 5,8% no ano anterior.

«A valorização do dólar ajudou-nos no primeiro semestre e é daí que as melhorias de margem resultaram», revelou o CEO Simon Wolfson. E acrescentou que «teremos uma adversidade na primavera/verão de 2016, [mas] acreditamos que podemos manter as margens».

As vendas do grupo britânico durante o período, incluindo as vendas do ramo de franchising, subiram 2,7% para 1,91 mil milhões de libras esterlinas, face a 1,86 mil milhões de libras no ano passado. As vendas não promocionais superaram marginalmente as expectativas, crescendo 3,5%, enquanto as vendas de remarcação inferior cresceram 3,3%. As vendas da Next Retail aumentaram 0,2%, fixando-se em 1,08 mil milhões de libras, enquanto as vendas de Diretório aumentaram 8,2%, para 767 milhões de libras.

A Next planeia aumentar o espaço de operações comerciais em 27.000 metros quadrados este ano, 5.000 metros quadrados aquém do planeado, uma vez que a inauguração de duas lojas foi adiada para o início do próximo ano. Porém, o grupo espera somar cerca de 32.500 metros quadrados de espaço destinado a operações comerciais em 2016 e 2017.

Paralelamente, Wolfson afirmou não estar preocupado com o novo salário mínimo nacional, que foi anunciado pelo governo em julho. Considerando o aumento da bonificação do salário mínimo nacional, que deverá representar 60% dos salários médios em 2020, a par da atual taxa de inflação, Wolfson revelou que a bonificação do salário mínimo do Reino Unido será de mais de 9 libras esterlinas.

Para a Next, o custo da bonificação do salário mínimo nacional a 60% do salário médio deverá representar 27 milhões de libras em 2020. Isto significa que será necessário um aumento de preços de 1% ao longo de quatro anos de forma a compensar esse valor, explicou Wolfson. «A nossa perspetiva é que, enquanto o alvo for mantido a 60% da mediana, não nos causa preocupação», assegurou.

No entanto, com o custo da inflação salarial geral esperado em 4,5% para os próximos quatro anos, isso representará um aumento superior a 5% dos preços para a Next. Combinando o bonificação do salário mínimo nacional e a inflação, a empresa estima que o aumento total dos preços para 2020 será de 6%.

O que é importante, referiu o CEO, é que, se a previsão geral de inflação salarial se mantiver constante é porque os salários terão aumentado 19%, acrescentando que «um aumento de 6% nos preços é algo que os nossos clientes podem pagar».

E Wolfson favorece o aumento de preços, ao invés de suportar o custo adicional da inflação dos salários e da bonificação do salário mínimo nacional. Se considerado um custo, seria equivalente a 18% dos lucros atuais, enquanto que, aquando do último aumento de preços similar, as vendas da Next caíram 1,5%. Esta quebra nas vendas, observou, não deverá superar os 20 a 25 milhões de libras esterlinas, o equivalente a 2% a 3% dos lucros. Assim, sublinhou, «a matemática favorece esmagadoramente o aumento de preços, especialmente num ambiente no qual os clientes podem pagar».

Comentando sobre o desempenho do grupo, o analista da Bernstein, Jamie Merriman, afirmou que «no geral, este é um bom conjunto de resultados». E acrescentou que «em termos gerais, acreditamos na nossa tese de que o crescimento do retalho e comércio eletrónico no Reino Unido são convergentes e que o crescimento incremental é proveniente de negócios de menor margem. No entanto, daqui em diante, o crescimento dos lucros irá coincidir amplamente com o crescimento das vendas».

Paralelamente, o analista da Cantor, Freddie George, referiu que os resultados superaram marginalmente as expectativas. «O crescendo estará agora mais dependente do desenvolvimento do Diretório no exterior, enquanto as vendas do Reino Unido amadurecem», explicou George.