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Next sobe preços

Os preços do vestuário da retalhista de moda britânica poderão subir até 5% a partir da coleção para a primavera-verão do próximo ano. A medida pretende compensar a desvalorização da libra após a o voto no Brexit, embora o CEO da Next considere que o consumo não foi ainda afetado pela a decisão dos britânicos de sair da UE.

A gigante da moda admitiu que os preços das suas roupas vão provavelmente aumentar 5% a partir de janeiro, uma consequência da valorização da libra após o voto no Brexit. A Next anunciou que vai subir os preços para ajudar a absorver os custos mais elevados, depois de ter revelado uma queda de 1,5% no lucro bruto do primeiro semestre, para 342 milhões de libras (cerca de 397 milhões de euros). Há já pelo menos um ano que a retalhista britânica vinha a dar sinais de um possível aumento, nomeadamente provocado pela revisão do salário mínimo no ano passado (ver Next aumenta preços)

O CEO da Next, Simon Wolfson, afirmou que «a desvalorização da libra não vai afetar tanto como alguns pensavam, em parte porque já estava em queda este ano e porque o dólar tem desvalorizado menos em comparação com as moedas nos países onde nos aprovisionamos. Os preços vão subir no máximo 5%… Durante muitos anos os nossos custos desceram e nós passamos essa descida para os nossos consumidores».

Wolfson referiu ainda que prevê um ano difícil e que «isso tem-se refletido nos resultados do primeiro semestre». Segundo o CEO, «não estamos em recessão, mas parece um pouco como uma recessão para nós [retalhistas de moda]. Tem sido um ano difícil, com os fatores económicos e cíclicos a funcionarem contra nós, e parece que vai continuar dessa forma até meados de outubro. Esperamos ter uma visão mais clara das condições de negócio no início de novembro». O CEO da Next acrescentou que «reiteramos as nossas previsões de que o terceiro trimestre deverá ser o mais difícil, já que foi o nosso melhor trimestre no ano passado».

A última vez que a cadeia de moda aumentou os preços foi há seis anos, quando os preços do algodão estavam em alta. Na altura, a Next estimou «a elasticidade do preço à volta de 1,1%». Se essa situação se mantiver, apontou Simon Wolfson, um aumento de 5% dos preços no retalho deverá resultar numa queda de 5,5% nas vendas unitárias e numa queda das vendas comparáveis entre 0,5% e 1%. «No cômputo das coisas, pensamos que este arrastar nas vendas é gerível e menos prejudicial do que afetar significativamente as margens», afirmou.

A retalhista britânica planeia igualmente aumentar a quantidade de produtos com prazos de entrega curtos na próxima estação, numa tentativa de incrementar o volume de artigos em linha com as tendências. No outono, a Next antecipa que este tipo de produto represente 10% do total, uma taxa que subirá para 15% no inverno – aumentos consideráveis tendo em conta que, na primavera-verão 2016, representavam apenas 4%.

Apesar de tudo, o CEO da Next acredita, segundo a revista Marketing Week, que o voto no Brexit não afetou as vendas. «Na verdade, poucas pessoas vão dizer “não vamos comprar uma blusa nova porque vamos sair da União Europeia em dois anos”. Por isso, sinto que não [impactou as vendas]», declarou. «Se chegar a uma fase, e eu pessoalmente acho difícil que isso venha a acontecer, em que deixar a UE tenha um efeito material sobre o emprego ou os salários, nessa circunstância vamos ver os consumidores a responder. Mas o consumo tende a ser impulsionado por aquilo que as pessoas têm no bolso naquele mês», justificou.

No primeiro semestre, a Next registou um aumento de 3% das vendas, para 1,9 mil milhões de libras. Este valor, contudo, representou uma queda de 0,3% em termos comparáveis.

Para Simon Bowler, analista do Exane BNP Paribas citado pela Bloomberg, «continua a haver alguns sinais preocupantes para a Next. Já ao portal just-style.com, a analista Jamie Meriman, da Bernstein, revelou preocupação «de que a verdadeira inflação possa ser mais alta (mesmo tendo em conta outros aumentos de preços, como salários e commodities) e que a performance em geral do mercado fique sob pressão. Os concorrentes já estão a dar sinais de que têm planos para manter os preços (como a Primark) e vemos um risco de queda nas expectativas».

Para o ano fiscal de 2017, a Next, incluindo a área de retalho e do Directory (que abrange as vendas online), tem uma previsão alargada entre uma queda de 2,5% e um aumento de 2,5% das vendas. O lucro bruto deverá situar-se entre 775 milhões e 845 milhões de libras. A cadeia de moda planeia ainda aumentar a sua área de retalho em 32.500 metros quadrados este ano. «Numa altura em que as vendas a retalho estão a regredir, pode parecer contraintuitivo acrescentar espaço. A nossa visão é que, num ambiente difícil de negócios, ter novos espaços é uma das poucas formas de mitigar os prejuízos das vendas comparáveis», justifica a Next, citada pelo Financial Times.