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Nike, Adidas e Gap de saída da Tailândia?

Os gigantes de vestuário Nike, Adidas-Salomon e Gap, estão a ameaçar retirar a sua produção da Tailândia devido às incertezas que rodeiam as propostas de alteração do sistema de quotas de exportação. As acções destas empresas e a de muitas outras podem custar este ano mais de 1.3 mil milhões de euros, quase metade do total da receita pública, ao mudarem as suas encomendas para outros países. Este é o cenário pintado pelos membros da Associação de Indústrias de Vestuário da Tailândia – Thai Garment Industries’ Association – quando se encontraram com o Ministro do Comércio Adisai Bodharamik. As novas quotas de regulação, que deverão entrar em força até ao fim de Fevereiro, têm como objectivo eliminar as constantes práticas das empresas de transferir quotas após se fixarem. Além de proibirem a transferência de quotas, as novas regras estipulam que a oferta das mesmas vai ser cancelada, e que todos os fabricantes e exportadores que obtenham quotas antes do final do próximo mês devem apressar as suas exportações. Apesar de não ser ainda claro qual o sistema que vai substituir o processo de oferta, o Ministro do Comércio Adisai Bodharamik deixou claro que os novos regulamentos deverão ter o efeito pretendido e que está confiante que não terão qualquer impacto negativo. No entanto, Suchart Chantaranakaracha, presidente da Associação dos Industriais de Vestuário, afirmou que o gigante de “sportswear” Nike está a ameaçar retirar a sua produção de base da Tailândia, e cancelar encomendas no valor de 231 milhões de euros, de acordo com o seu plano de não negociar com nenhum país cuja política de quotas de fixação seja pouco clara. Chantaranakaracha afirmou ainda que 15 grandes agentes de compras também mostraram intenções de cancelar encomendas na Tailândia se estas regras forem adiante. A Adidas-Salomon International Sourcing Co também disse que poderia transferir as suas encomendas no valor de 173 milhões de euros, cerca de 20% das suas encomendas mundiais para outros países. A Gap International Sourcing Co também afirmou transferir encomendas no valor de 277 milhões de euros da Tailândia para a China, enquanto a Li & Fung (Tailândia) Co, que tem 65 escritórios espalhados por 38 países em todo o mundo, também iria transferir as suas encomendas para outro sítio. «Eles planeiam retirar as suas encomendas para outros países se os nossos regulamentos continuarem pouco claros. As novas regulações precisam de ser revistas urgentemente», assegurou Suchart Chantaranakaracha. O Ministro do Comércio Adisai Bodharamik disse que estas novas medidas iriam assegurar que apenas os produtores genuínos receberiam acções, acrescentando que o ministério iria ter um papel mais activo na gestão das quotas de fixação. Adisai afirmou ainda que «há 200 empresas que não exportam nada, mas transferem 100% das suas quotas para outras pessoas». Com o novo sistema, mais de um quarto das quotas existentes estarão reservadas para a fixação de novas empresas para aumentar a justiça do sistema. Representantes das associações estão à espera de mais discussões com o secretário do comércio Karun Kittisataporn.