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Nike supera gigantes de luxo

A plataforma de moda Lyst divulgou a lista das marcas mais procuradas pelos consumidores no segundo trimestre de 2020. Numa altura sem precedentes, são as causas, a adaptação à nova realidade e o elo de ligação dos consumidores que levam as insígnias a serem merecedoras do top 20 e a conquistarem o pódio.

[©Sourcing Journal]

O comportamento das marcas está a influenciar as tendências que entram e saem do mundo da moda. O Lyst Index Q2 2020, uma classificação trimestral das marcas e produtos de moda mais procurados baseada nas pesquisas mensais de mais de nove milhões de compradores na plataforma online, demonstrou que os consumidores, mesmo com toda a situação de pandemia a decorrer, não deixaram de estar atentos às reações de adaptação das marcas à nova realidade e também a temas

na ordem do dia, como a morte de George Floyd, que despoletou protestos antirracistas e contra a violência policial.

Se, por um lado, algumas marcas tiveram dificuldade em demostrar que evoluíram a par do cenário de mudança provocado pela chegada do novo coronavírus, outras foram capazes de transmitir compaixão, apoio e criatividade. As marcas que agiram rapidamente e foram capazes de se afirmar conseguiram conquistar um lugar no The Lyst Index Q2 2020 Hottest Brands.

Na classificação trimestral, a Nike subiu duas posições e tornou-se a marca mais procurada do mundo, o que fez com que, pela primeira vez, o The Lyst Index não liderada por uma marca de luxo. Em parte, o sucesso da Nike foi sustentado pelos investimentos que a empresa americana fez no canal digital e também pelo facto de apresentar um produto adequado, que corresponde às necessidades dos consumidores, mesmo em confinamento.

Gucci [©anOther]
Ao contrário do que muitas marcas experienciaram durante a pandemia, segundo a Lyst, a Nike registou um crescimento de 75% nas vendas online e concluiu o objetivo projetado para 2023, de atingir 30% em vendas digitais. «A Nike foi impulsionada por um aumento de 106% na procura por activewear e loungewear, uma vez que os consumidores procuravam vestuário para usar em casa, bem como para praticar exercício e atividades ao ar livre», explica a Lyst.

Ao não se mostrar indiferente com aquilo que se passa no mundo, a empresa americana foi muito elogiada, de acordo com o Sourcing Journal, por ter feito um vídeo com a mensagem antirracista “Don’t Do It”. Além disso, a Nike doou ainda 40 milhões de dólares a instituições que promovem a justiça social.

Nos restantes lugares pertencentes ao top 5 constam marcas que se situam entre um conceito de luxo e de streetwear. A Off-White desceu da primeira posição no segundo trimestre, mas continuou a fazer parte das preferências dos consumidores, com grande procura relativamente às máscaras e também à coleção cápsula inspirada nos anos 90, em colaboração com a retalhista TSUM.

Em terceiro lugar surge a Gucci, que captou a atenção dos consumidores da indústria de moda quando Alessandro Michele, diretor criativo da marca pertencente ao grupo Kering, anunciou que, ao invés de lançar cinco coleções anuais, vai optar apenas por duas coleções seansonless.

A Balenciaga, que se comprometeu a fazer um donativo anual à National Association for the Advancement of Colored People (NAACP), conquistou a quarta posição, seguindo-se a Prada no quinto lugar na lista das marcas mais procuradas, também por ter chamado a atenção dos consumidores com o uso da realidade virtual para fazer compras.

Burberry [©StyleLovely]
A Saint Laurent, Versace, Burberry, Fendi e Bottega Veneta fecharam o top 10. À semelhança da decisão da Gucci, a Saint Laurent revelou que vai deixar de seguir as datas do calendário de moda para a apresentação de novas coleções e passar a ter um «ritmo próprio». A Versace e a Bottega Veneta não negligenciaram o contacto com os consumidores online, tendo fomentado essa ligação através de campanhas no Instagram e no Youtube, respetivamente. Já as coleções especiais desenvolvidas pela Fendi e pela Burberry enalteceram o perfil das marcas durante o trimestre.

A Jacquemus, a marca conhecida pelo lançamento e pela implementação da tendência das malas mini, assegurou o 11.º lugar, seguida pela Valentino, que desceu quatro posições, para o 12.º. Pelo contrário, a Adidas subiu oito lugares fruto da colaboração com a marca de ténis sustentáveis Allbirds, alcançando assim alcançar o lugar número 13.

Ainda que a Moncler tenha conquistado a melhor posição no The Lyst Index para o primeiro trimestre de 2020, a marca de vestuário desceu oito lugares, para a 14.ª posição, no segundo trimestre. A insígnia de outerwear revelou, contudo, ter projetos para 2022, com a estreia de uma fragrância.

A fechar a The Lyst Index referente ao segundo trimestre encontram-se nomes como Alexander McQueen, Loewe, Balmain, Vetements, Stone Island e Fear of God que, pela primeira vez, mereceu, de acordo com a classificação, um lugar nas 20 marcas mais procuradas, registando uma subida de nove posições comparativamente aos rankings anteriores.

Jacquemus primavera-verão 2021 [©The Zoe Report]