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No coração da ITV

As visitas arrancaram com o emaranhar na história da Polopique. A empresa com sede em Moreira de Cónegos, Guimarães, emprega cerca de 750 pessoas e impressionou os estudantes pela sua verticalidade, da fiação à peça confecionada, na sua recém-inaugurada unidade de produção de vestuário equipada com tecnologia de ponta na arte do corte e costura. Um périplo que terminou no departamento de design do novo gigante têxtil da ITV portuguesa, cujas cadeiras muitos dos jovens designers estrangeiros se imaginaram logo a ocupar, como por exemplo Giuseppe Perri da Accademia Koefia, em Itália. A paragem seguinte foi na confeção A2, empresa criada por Asdrúbal Azevedo. Lavoisier faz por se passear no edifício, ou não estivesse a sua lei nos alicerces da empresa. “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, lembrou Asdrúbal Azevedo aos jovens designers, que não estavam familiarizados com a lei do químico francês. A A2 tem como clientes nomes como Marc Jacobs, Zac Posen, Carolina Herrera ou Paul Smith e guia-se por uma filosofia em tons de verde. Uma horta orgânica resulta numa sopa saudável que preenche o estômago dos colaboradores e os requisitos necessários para espantar os jovens designers. “Que ideia saudável! Que ótima iniciativa!”, exclamaram em uníssono. As visitas do segundo dia culminaram na fábrica Crispim Abreu onde também impera o “sentimento verde”. O tratamento das águas e o seu aproveitamento na produção de energia mereceu o olhar de aprovação dos jovens designers europeus. A empresa familiar fundada em 1981 por Crispim Abreu e Virgínia Abreu aposta claramente no design, departamento que considera o primeiro elemento na cadeia da moda. Terminado o segundo dia da rota do têxtil português, Natacha Durán, designer da Esmod Berlin, na Alemanha, expressou a sua admiração: «É impressionante como empresas de tão grandes dimensões têm a sua sede nestas cidades pequenas e são capazes de abarcar todas estas fases num só espaço. Não tinha tido um contacto tão próximo com a indústria têxtil como aqui e acho extraordinário a quantidade de maquinaria existente para alcançar a perfeição no produto final», explicou. Com o esgotar do dia e do tempo ocupado, voltou a surgir o nervosismo com o grande dia. «Começamos a ficar nervosos com o dia de amanhã”, suspiravam muitos ao jantar. O Porto Fashion Show está a horas de abrir portas e os jovens criadores de moda sabem que o seu futuro poderá desenhar-se na Alfândega do Porto.