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No coração da Penedo

Conjugar inovação com tradição é, muitas vezes, missão impossível, mas a Têxteis Penedo tem sido capaz de o fazer com mestria, como mostrou na visita aos jornalistas e compradores de todo o mundo que estiveram na Guimarães Home Fashion Week para conhecer a oferta nacional de têxteis-lar.

Habituada a estar no mundo – afinal exporta 98% da produção para os cinco continentes –, desta vez foi o “mundo” que veio à Têxteis Penedo e a produtora de têxteis-lar em jacquard abriu de par em par as portas para dar a conhecer a jornalistas e compradores internacionais as suas valências, do design à tecelagem e acabamentos mecânicos, passando ainda pela investigação e desenvolvimento, que ocupa cada vez mais pessoas dentro da empresa.

«Temos um departamento de I&D e muitos produtos novos, com novos materiais, como fios condutores, Led’s e outras tecnologias que colocamos nos têxteis», explicou, perante o olhar de admiração dos jornalistas, o administrador Agostinho Afonso.

A cortina com Led’s que a empresa apresentou na Techtextil em 2015 está atualmente em fase de industrialização. «Na altura era um protótipo», revelou o administrador, acrescentando que atualmente os fios condutores são inseridos no próprio processo de tecelagem. «Mas a principal dificuldade era a colocação dos Led’s», admitiu Agostinho Afonso.

A solução para tornar o produto comercialmente viável passou pela robotização, contou, mais tarde, Xavier Leite, presidente da empresa, já em pleno espaço expositivo da Guimarães Home Fashion Week. «É uma mesa que tem um braço teleguiado com várias funções: uma levanta o tecido, outra aplica o Led,… O tecido é feito na tecelagem já com os fios condutores», detalhou.

Outro projeto de I&D em fase de industrialização é o do fio de cortiça, que a Têxteis Penedo está a realizar em parceria com a Sedacor, o Citeve e o LSRE-LCM.

Inovação de T(ecnologia) a D(esign)

Mas a inovação da empresa não passa apenas pela tecnologia e está também muito ligada ao design, com uma equipa de duas pessoas – a Manuela e o Rui – dedicadas a tempo inteiro mas que, como fez questão de frisar Manuela ao Portugal Têxtil, «tem por detrás toda uma equipa, desde os responsáveis pelas matérias-primas até aos comerciais».

As matérias-primas – que englobam do tradicional algodão e lã às fibras mais nobres, como a caxemira e a seda – ocupam uma área cada vez maior nos 10 mil metros quadrados das instalações da Têxteis Penedo. Aliás, a empresa está a construir um novo armazém de matérias-primas, com uma superfície de 1.000 metros quadrados, para albergar os fios, como por exemplo o linho que compra a produtores em França e na Bélgica.

Entre a preparação à tecelagem e os acabamentos mecânicos, como a cardação e a laminagem, onde se incluem oito máquinas específicas para a nova área de negócios dos cobertores e mantas, a empresa conta com uma tecelagem que produz cerca de 2 milhões de metros por ano. «Nos últimos seis anos entraram seis teares novos. Temos vindo a comprar [novos teares] com algumas adaptações técnicas, porque nem todos os teares trabalham fios condutores», especificou Xavier Leite ao Portugal Têxtil. «Nos últimos cinco a seis anos temos feito um investimento médio entre os 600 e os 800 mil euros por ano», acrescentou.

A aposta nos cobertores e mantas surgiu há cerca de seis anos e foi reforçada, entretanto, com o lançamento da marca própria Macal by Penedo. «Como a marca Macal é extremamente conhecida no mercado, inclusivamente internacional, ao ver que estava disponível, a nossa ideia foi não a deixar morrer», explicou o presidente da Têxteis Penedo. «Estamos logicamente a dar-lhe mais valor, criando novos conceitos, com matérias-primas mais nobres, como linhos, caxemiras, alpaca, sedas», apontou, adiantando que a marca própria «não chega ainda a 20% do volume de vendas mas está próximo disso».

De Guimarães para o mundo

Com um volume de negócios de 12,5 milhões de euros, que, afirmou Xavier Leite, «duplicou nos últimos cinco anos», a empresa deverá, em 2017, estabilizar o volume de negócios.

Mercados como a Europa e os EUA continuam a ser os principais destinos das exportações, mas as colchas, cobertores, mantas e artigos de decoração para o mercado de consumo e hotelaria da Têxteis Penedo, que emprega 96 pessoas, chegam igualmente a paragens mais longínquas, como o Japão, Austrália e Nova Zelândia.

«Estamos a explorar África, a visitar clientes», anunciou ainda o administrador Xavier Leite ao Portugal Têxtil, confessando que um dos contactos é a Edcon, uma retalhista sul-africana com 544 lojas por todo o país dedicadas apenas a têxteis-lar e que esteve presente na Guimarães Home Fashion Week, uma iniciativa organizada pela associação Home From Portugal que se realizou a 27 e 28 de junho (ver Guimarães no epicentro da casa).  

«Prefiro os têxteis-lar portugueses por causa da qualidade e também em termos de perceção do valor», revelou, ao Portugal Têxtil, Leela Balaram, compradora da Edcon. «Os produtos e as empresas portuguesas realmente destacam-se pela inovação e também pelo aspeto visual e pelo toque, que se diferenciam bastante de outros países. É isso que nos atrai para comprar em Portugal», confessou a sul-africana.

A Edcon tem vindo, de resto, a aumentar as suas compras em Portugal. «Inicialmente, os têxteis-lar portugueses representavam 5% nas nossas compras, mas agora aumentaram para cerca de 25%», sublinhou Leela Balaram.

Iniciativas como a Guimarães Home Fashion Week são, por isso, bem-vindas. «Tendo em conta o tipo de compradores que são convidados e o custo-investimento de permanência aqui, esta iniciativa é de louvar. Aqui vê-se uma centena de compradores, à vontade, em dois dias», destacou o presidente da Têxteis Penedo ao Portugal Têxtil.