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No rasto da transparência

Nos próximos dias, deverá chegar ao mercado a app Povigy que vai permitir, com a intervenção de alguma tecnologia, seguir o rasto de uma peça de vestuário.

A Povigy é, de acordo com o website da startup norte-americana, uma ferramenta que ajuda os clientes a entenderem melhor as suas compras – quem fez os produtos, como foram feitos e em que condições. É uma plataforma que ajuda as marcas a capitalizarem a produção responsável de produtos e está a ser apresentada através da hashtag #SeeBeyondTheTag (ver para lá da etiqueta, em português). «Se disser que uma peça de roupa tem 50% de algodão orgânico é maravilhoso, mas isso não diz se a peça foi produzida de forma responsável. Isso não conta a história toda», explica Kate Bryden, COO e cofundadora da Povigy, ao Observer.

A empresária esteve recentemente em Nova Iorque para lançar a startup que visa resolver o problema do “greenwashing” na indústria da moda, isto é, informações ambíguas que não deixam perceber se a marca é totalmente transparente sobre temas como a responsabilidade social, ecologia ou sustentabilidade.

Nos últimos anos, a sustentabilidade tem sido um dos temas mais quentes da indústria – nem sempre pelos melhores motivos –, orientando a atuação de marcas emergentes como a Reformation e, também, realinhado a estratégia de atores como a Gucci.

Porém, bombardear os consumidores com discursos sobre ecologia e ética sem dar provas concretas de que estes temas estão a ser tratados dentro das empresas pode afastar os consumidores verdadeiramente interessados numa causa digna, envolvendo-os, simplesmente, em mais uma ação de marketing.

Alguns esforços individuais têm procurado padronizar aspetos-chave para a produção e distribuição responsável de moda, como por exemplo o website de compras Nineteenth Amendment. No entanto, a Povigy é mais ambiciosa e visa educar os consumidores sobre quem fez (e como) as roupas que usa.

Para determinar a sustentabilidade de um produto, os representantes da Povigy viajam para destinos de sourcing e analisam desde a recolha das matérias-primas até à confeção, embalamento e envio do produto. «Só porque foi feita aqui [nos EUA] não significa que foi feita de forma responsável», ressalva Kate Bryden. «E só porque foi feita no Vietname não significa que foi feita de forma irresponsável», acrescenta.

Depois visitar os locais envolvidos na cadeia de aprovisionamento, um representante da Povigy desenvolve um “Registo de Vestuário Sustentável”. A confirmação da precisão das informações e a verificação do cumprimento das normas são feitas por um segundo representante.

Através de um código QR então disponibilizado na etiqueta da peça, os consumidores podem depois aceder de forma imediata aos rankings da Povigy, de uma escala de “Certificado” a “Exemplar”. Podem, também, ver fotografias e vídeos do processo de produção e aceder à “história” de produção da peça. Como durante o processo de avaliação são recolhidas amostras de tecido, os consumidores podem certificar a autenticidade do artigo, pelo que a Povigy ajuda ainda a combater a falsificação.

Atualmente, a startup tem parceria com marcas que se concentram em produtos artesanais, como a Worthy Village, que vende produtos feitos por artesãos na Guatemala. A Povigy firmou também parceria com algumas marcas com sede nos EUA, como a Fred & Co, que está sediada no estado de Maryland.

No curto/médio prazo, a startup espera registar produtos não apenas o âmbito das ecomarcas e do luxo mas, também, no retalho. «Queremos alterar a forma como as compras são feitas numa escala global», revela a COO da Povigy. Contudo, o objetivo da Povigy não é “expor” as marcas. «Não queremos expor ou envergonhar ninguém, mas sim incentivar melhores práticas na indústria. Procuramos destacar as práticas positivas», conclui.