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Normal Or Not veste a maioria

Influenciadas por uma família com mais de 40 anos de experiência na indústria têxtil, Joana e Maria Gomes querem marcar pela diferença, criando peças que assentem na «maioria dos corpos que é normal existir». A marca apresentou-se ao mercado em abril deste ano e prepara-se já para lançar a nova coleção outono-inverno.

Joana e Maria Gomes

A ideia de criar uma marca própria sempre esteve na ordem de pensamentos das duas irmãs. O negócio de família TIVA, na área da confeção de malhas, permitiu-lhes estarem constantemente a par das tendências da moda, bem como dos mais altos padrões de qualidade, reunindo um know-how completo e aprofundado sobre o mercado têxtil. Inicialmente, pensaram em produzir uma marca de bikinis ou de roupa de desporto, até terem chegado ao conceito da Normal Or Not: roupa «NORMAL (para pessoas comuns, ou seja, a maioria) OR NOT (moda que marca a diferença)», tal como descreve a sua plataforma online.

Ao Portugal Têxtil, Joana Gomes explica que «na moda não é fácil criar algo novo, porque está tudo inventado». No entanto, as irmãs observaram que a indústria da moda estava repleta de marcas que se orientavam por medidas standard muito reduzidas, comparativamente aos padrões da população geral. «Aquele estigma de que quem é magro veste sempre bem, é mentira», sublinha. A Normal Or Not vem cobrir esta lacuna, oferendo roupa «para a maioria». Destina-se a um público jovem-adulto, entre os 25 e os 50 anos, com «alguns pormenores que marquem a diferença» e tecidos de qualidade.

Lançada em abril, a marca iniciou-se com uma Mid Season composta por dez modelos, em tons de preto e branco – a única peça com cor era o vestido Constância, em azul. As irmãs inspiram-se em tendências que já existem e retiram apontamentos de várias peças que gostam para confecionar um produto com o qual se identifiquem. «Se não ficar [bem], abandona-se ou altera-se», afirma Joana. Por outro lado, como forma de expandir a criatividade nacional, decidiram atribuir a cada artigo o nome de um lugar português. «Uma das ideias da marca é comunicar um bocadinho o que é o Made In Portugal e o que é a qualidade portuguesa», porque «Portugal também sabe criar e consegue fazer coisas giras e diferentes», acrescenta. O padrão do vestido Constância, por exemplo, faz alusão aos azulejos da terra que o nomeia, assim como a camisa Galisteu – o único artigo que tem a marca escrita – se refere ao lugar que as irmãs visitam desde crianças. «Tentamos dar às peças que mais gostamos da coleção, sítios que nos dizem muito», esclarece Maria, mas nem todas estão associadas ao lugar que lhes foi atribuído.

Normal e independente

Os artigos da Normal Or Not são produzidos na fábrica da TIVA, através de materiais mais nobres ou naturais, como o algodão, o liocel, a seda e o linho, apostando na lã e no cupro agora para a coleção de inverno. As irmãs admitem a necessidade crescente de comunicar o investimento na qualidade dos tecidos que têm procurado fazer ao longo dos últimos tempos, no sentido de conquistar um maior valor acrescentado para o cliente e contrariar a fast-fashion.

A marca é vendida através da plataforma online e, mais recentemente, em algumas lojas multimarca, permitindo que os clientes experimentem a peça antes de a comprar. O seu mercado está concentrado na Península Ibérica, alargando-se, contudo, um pouco por toda a Europa, à exceção de alguns países como a Rússia, Suíça e Letónia. De momento, o objetivo é «agarrar o mercado português que ainda falta», destaca Joana.

Apesar do sucesso registado até ao momento, Joana e Maria confessam que a TIVA lhes proporcionou um excelente apoio de alavancagem inicial, não só pelo know-how que lhes foi transmitido ao longo dos anos, como também por todo o equipamento, infraestruturas e recursos humanos que estavam à sua disposição. Ainda assim, o objetivo de criar uma marca independente do negócio da família é promover um projeto que é exclusivo das duas irmãs. «Não usamos a marca como apoio à TIVA e a TIVA nunca fala na Normal», explicita Joana.

A nova coleção está prevista para ser lançada no início de outubro. Maria revela ser «a melhor coleção de todas», com modelos oversized, materiais novos, cores neutras «na onda dos pretos, brancos, caquis, cinzas, tijolo, um vermelho e um [azul] marinho». Deverá constituir-se por cerca de 20 peças e, apesar do nível de preço ligeiramente acima dos padrões da marca, devido aos materiais utilizados, as irmãs confessam que é a coleção que melhor as define. «As pessoas ou vão amar ou vão odiar, porque é mesmo diferente», revela Maria. «Esta coleção é muito o nosso gosto pessoal», salienta.

«Futurismos» à parte, tal como refere Joana, as fundadoras da Normal Or Not acreditam que a marca «conseguirá chegar longe» a longo prazo, através de um maior esforço de comunicação para a consolidar no mercado nacional e, a partir daí, conquistar a Europa.