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Norte concentra novas empresas

O Observatório Nacional da Criação de Empresas, um projecto desenvolvido pelo IAPMEI em conjunto com a rede nacional de CFE (Centros de Formalidade das Empresas), tem vindo a realizar ao longo dos últimos anos inquéritos aos empresários, tendo abordado várias temáticas relacionadas com o empreendedorismo, noticia o Observatório do Comércio. Baseado no questionário efectuado no ano 2000 a cerca de duas mil empresas e quatro mil empresários, foi elaborado um relatório com a intenção de servir de base de trabalho para a definição de políticas públicas de apoio à criação de empresas. O sector do comércio foi o segundo maior em termos de empresas criadas (27% no total da amostra), tendo sido dessa forma o principal caracterizado na abordagem aos resultados do estudo. A nível territorial, o Norte é a região onde se concentram a maior parte das novas empresas de comércio, seguida de Lisboa e Vale do Tejo e da região Centro. É de referir ainda que cerca de metade das empresas de comércio optou por se instalar nos grandes centros urbanos ou na sua periferia. Em relação à caracterização geral das empresas, a maioria inicia a actividade com um capital social não superior aos mil contos, constituindo-se sob a forma de sociedades por quotas, em que os sócios são geralmente familiares. De referir ainda que 59% dos empresários indicou não pretender elaborar um plano de negócios e 58% dos empresários do sector do comércio referiu não ter intenção de se candidatar a sistemas de incentivo. A maioria (63%) realiza um investimento inicial inferior a 200 mil contos, que no comércio é utilizado principalmente em instalações e equipamento. Em relação à forma de planear e efectuar a entrada das empresas no mercado, foram analisados factores como a concorrência, as expectativas de facturação, a clientela esperada, os objectivos estratégicos e os factores de diferenciação. Deste modo, foi possível verificar que o sector do comércio valoriza como objectivo estratégico, e em primeiro lugar, a «satisfação dos clientes», logo a seguir a «relação qualidade/preço» e a «qualidade total». Para alcançar os objectivos, os novos empresários apostam especialmente no «preço», nos «produtos», nas «condições oferecidas» e no «design». A nível de clientela, apenas 28% dos empresários apontam os particulares como principais clientes, enquanto que a maioria (58%) espera vir a ter empresas como clientes. Finalmente foi analisada a influência do meio na criação da empresa. Aqui, apenas em 6% dos casos a ideia da criação da empresa não surgiu de nenhum dos sócios e 80% dos empreendedores procurou aconselhamento entre a família e amigos. No inquérito era ainda pedido aos empreendedores que indicassem quais os factores do meio que associavam ao desenvolvimento da sua iniciativa e que influenciaram a sua decisão de criar uma empresa. Neste aspecto, os empreendedores do comércio apresentam maiores expectativas no que se refere à facilidade de fornecimentos e ao conhecimento dos clientes, que têm vindo a ser considerados como os principais pontos deste sector.