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Nova administração alinha futuro da Tearfil

Um projeto de investimento na ordem dos 4 milhões de euros faz parte do futuro da Tearfil. A empresa de fiação, que saiu da esfera do Grupo Moretextile na semana passada e tem agora como principal acionista Maria de Belém Machado, da SMBM, vai focar-se, entre outros, na sustentabilidade.

Dois dias úteis após a concretização do negócio, os novos administradores da Tearfil – Maria de Belém Machado e Bernardino Andrade – não têm mãos a medir para estruturar o futuro da produtora de fios, fundada em 1973 e, até ao passado dia 26 de julho, integrada no Grupo Moretextile.

«Como a Tearfil estava integrada num grupo, há áreas que vamos ter de formar, como o departamento financeiro e de informática», explica, ao Portugal Têxtil, Maria de Belém Machado, que além de administradora é a acionista maioritária da Tearfil – os outros dois sócios são Bernardino Andrade, também administrador da SMBM, e Aurora Cunha. Como tal, o efetivo da empresa de fiação, que ronda os 200 trabalhadores, «provavelmente vai aumentar», adianta Maria de Belém Machado.

Capacidade de escala

A Tearfil é a segunda empresa de fiação controlada por Maria de Belém Machado, que também é acionista da SMBM, direcionada mais para o mercado de moda e de nicho, onde, com a marca Fifitex, fez, por exemplo, uma parceria com a designer Susana Bettencourt. Já a Tearfil surge porque «achamos que há um mercado potencial nas exportações, nos fios técnicos e nas grandes produções», aponta Maria de Belém Machado. «A Tearfil tem capacidade de escala», sublinha Bernardino Andrade.

Bernardino Andrade

«Neste momento, o objetivo é aproveitar tudo de bom que a empresa tem. Entretanto vamos construir uma estratégia com novos mercados e novos produtos», revela ao Portugal Têxtil.

Numa primeira fase está já pensado um investimento entre os 3 e os 4 milhões de euros, para renovar o parque de máquinas. «Visa não só a eficiência produtiva mas também energética», acrescenta o administrador.

Aliás, uma das áreas onde a Tearfil se irá centrar será «em investimentos na poupança de energia e em matérias-primas ecológicas», assegura Maria de Belém Machado. O mercado da sustentabilidade e da economia circular é, de resto, importante para a produtora de fios, que tem já a marca Eco Heather, que representa o fio obtido a partir da reutilização de fibras da fiação, «na qual vamos continuar a apostar», afirma Bernardino Andrade.

Apesar de partilharem os mesmos administradores, a Tearfil e a SMBM irão manter-se como empresas independentes, incluindo na próxima edição da Première Vision Paris, que decorrerá de 17 a 19 de setembro, onde terão «stands independentes», garantem os administradores.

12 milhões de euros

Com uma capacidade produtiva a rondar as 400 toneladas de fio por mês, em processos de contínuo de anel e open end, o negócio da Tearfil dividia-se, até agora, entre a produção para servir as necessidades internas do grupo MoreTextile e as vendas a terceiros.

De acordo com um comunicado do grupo Moretextile citado pelo Negócios, a Tearfil registou em 2018 um volume de negócios de 12 milhões de euros, 12% dos quais para exportação, contando com um portefólio de 300 clientes.

«Esta aquisição permitirá capturar sinergias e potenciar o valor acrescentado desta unidade, garantindo os postos de trabalho e o investimento no seu desenvolvimento. A Tearfil manterá a sua autonomia, de forma a potenciar a sua flexibilidade e agilidade, com benefícios para os clientes e parceiros», refere a nota do Moretextile enviada à imprensa.