Início Notícias Têxtil

Nova arma contra a escravatura

Índia, Paquistão, Grécia e Turquia foram recentemente identificados entre os países com maior risco de escravatura moderna nas cadeias de aprovisionamento de moda. Recentemente foi também apresentada uma nova ferramenta para ajudar as empresas a encontrar, avaliar e erradicar este problema.

A investigação desenvolvida pelo British Standards Institute (BSI) informa que países como Rússia, Eslováquia, Índia e Paquistão têm um “risco grave” de escravatura moderna, de acordo com os parâmetros do “Trafficking & Supply Chain Slavery Patterns Index”, com a Grécia e a Turquia classificados como países de “alto risco”. Dos países do G7, Itália é identificada com “alto risco”, em parte devido ao conflito na Síria.

O índice do BSI permite que os utilizadores façam uma referência cruzada aos países de origem dos migrantes e a probabilidade destes serem explorados nos países de destino – ajudando as empresas a encontrar, avaliar e erradicar a escravatura e o tráfico nas suas cadeias de aprovisionamento globais.

A ferramenta abrange a migração e a exploração de pessoas entre 191 países de origem e 193 países de destino, com cada combinação de países classificados de baixo a grave com base na pontuação de risco.

«O índice é único no que diz respeito à interseção e à relação entre os países de origem das pessoas deslocadas e a probabilidade de serem exploradas à chegada aos países de destino. Os outros índices são unidimensionais – analisando apenas os países de origem ou de destino», explica, ao just-style.com, a responsável principal pela ferramenta do BSI, Michiko Shima.

Depois do Modern Slavery Act, em 2015, a escravatura na cadeia de aprovisionamento assumiu-se como uma importante batalha para os negócios de moda que se preocupam em melhorar neste área, mas muitas vezes não sabem como.

Porém, a recente ferramenta de cruzamento de dezenas de milhares de pares de países de origem/destino e o seu risco relativo permite conhecer a amplitude das ameaças às cadeias de aprovisionamento globais, incluindo o desrespeito pelos direitos humanos, ameaças à segurança e riscos de continuidade dos negócios.

As entradas do índice incluem dados independentes e outros fornecidos pelo BSI sobre exploração e tráfico, disparidade económica e proximidade geográfica dos países. Os dados foram confrontados com as citações feitas pelo Departamento de Estado dos EUA no seu relatório sobre tráfico humano de forma a possibilitar uma compreensão mais ampla da probabilidade desse tipos de abusos, ameaças e riscos, bem como uma análise de casos reais já documentados.

«O índice, aliado aos serviços do BSI, capacita as organizações a concentrarem a sua gestão de risco na cadeia de aprovisionamento na identificação e avaliação de fornecedores e na gestão proactiva dos riscos», acrescenta Chris McCann, consultor principal de serviços de aprovisionamento e soluções no BSI. «Ao fazer isso, as organizações diminuirão a sua exposição à disrupção operacional, má reputação, bem como a potenciais consequências legais e financeiras – incluindo a volatilidade dos preços das ações», conclui.