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Nova cara sorri ao futuro da H&M

O aumento das vendas a preços totais e a redução das promoções contribuíram para um crescimento do lucro anual da retalhista sueca H&M. O resultado positivo faz-se acompanhar por uma alteração estrutural interna que substitui Karl-Johan Persson por Helena Helmersson na posição de CEO.

Num comunicado divulgado a 30 de janeiro, a H&M declara que, após mais de duas décadas como presidente do conselho de administração, Stefan Persson decidiu não voltar a candidatar-se à reeleição, na reunião geral anual que terá lugar em maio, e pede que o atual CEO, Karl-Johan Persson, ocupe o seu lugar. O executivo apresentará agora a sua proposta para o comité de nomeação. «É uma mudança natural, depois de 20 anos como presidente, de entregar o testemunho a Karl-Johan, CEO há mais de dez anos», explica Stefan Persson. «Continuarei a ser um acionista fiel, tal como até hoje, apenas a partir de uma posição diferente», acrescenta.

Deixando a posição de CEO livre, o conselho de diretores da empresa nomeou a diretora de operações (COO), Helena Helmersson, para sua sucessora. Presente no grupo desde 1997, a executiva iniciou-se como economista no departamento de compras e depressa ascendeu a gestora de sustentabilidade, cargo que ocupou durante cinco anos antes de ter sido transferida para gestora de produção em Hong Kong.

A alteração de quadros surge na melhor altura, segundo o antigo presidente do conselho de administração, já que o grupo tem vindo gradualmente a beneficiar de uma melhoria de lucros e de uma boa capacidade financeira, após ter finalizado a transição de um modelo de negócio com uma só marca para somar mais oito ao seu portefólio.

No caminho certo para bons resultados

No final do quarto trimestre de 2019 (que findou a 30 de novembro), a H&M registou um lucro líquido de 4,21 mil milhões de coroas suecas (cerca de 400 milhões de euros), uma subida de 16% face aos 3,54 mil milhões de coroas suecas do ano anterior. As vendas líquidas seguiram a mesma tendência, crescendo 9%, para 61,69 mil milhões de coroas suecas, ou seja, mais 5,28 mil milhões de coroas suecas do que em 2018. A câmbios constantes, esta subida equivale a uma taxa de 5%.

Helena Helmersson e Karl-Johan Persson

Para o ano total de 2019, os dados mantêm-se positivos. O lucro líquido aumentou 7%, para 13,44 mil milhões de coroas suecas (mais 790 milhões de coroas suecas do que em 2018) – o primeiro crescimento da empresa neste parâmetro desde 2015, revela a Reuters. Por sua vez, as vendas líquidas subiram 11%, para 232,76 mil milhões de coroas suecas, face aos 210,4 mil milhões de coroas suecas registados em 2018, impulsionadas pelos canais físico e online, com especial relevância para o segundo, cuja taxa de crescimento chegou aos 24%.

Karl-Johan Persson realça que o «desempenho positivo» indica que o grupo está no caminho certo, já que é evidente que o trabalho continua a dar frutos. O executivo sustenta ainda que o aumento das vendas a preço total e a redução das promoções contribuíram para uma melhoria do lucro durante todo o ano e no quarto trimestre, observando que «se torna claro pela boa receção das nossas coleções e pelo aumento da quota de mercado que os consumidores estão a apreciar as nossas iniciativas».

Nos últimos anos, a H&M tem concretizado «investimentos significativos e necessários para assegurar a sua posição e o desenvolvimento no longo prazo», explica o antigo CEO. «Temos investido na digitalização, numa cadeia de aprovisionamento mais eficiente – incluindo novos centros e sistemas logísticos e, em termos de tecnologia de infraestrutura, [apostamos em] análises avançadas e inteligência artificial», enumera.

«Nos últimos anos, os dados de performance indicam-nos que estamos a avançar na direção certa», assegura Karl-Johan Persson. «Combinando os nossos investimentos de longo prazo com a nossa ambiciosa agenda de sustentabilidade, estamos otimistas relativamente ao futuro», acrescenta.

O futuro mantém-se positivo

Apesar dos resultados do quarto trimestre se terem situado abaixo das expectativas – prejudicados pela data tardia da Black Friday, comparativamente a 2018 –, Kate Ormrod, analista líder de retalho da GlobalData, confirma o forte desempenho do grupo ao longo do ano de 2019. «O aumento do preço total e a redução das promoções são sinais de que o plano de transformação multifacetado da H&M, com uma maior concentração no meio online, cadeia de aprovisionamento e ajuste da sua rede física, tem sido sólido», salienta.

As previsões da GlobalData estimam que a H&M continue a beneficiar das suas iniciativas no futuro, apoiando-se no aumento de 5% das vendas líquidas já registado em dezembro e janeiro (mais um ponto percentual do que o período homólogo anterior). Kate Ormrod defende ainda que, além da sustentabilidade, a H&M deve concentrar-se em áreas que envolvam «o valor do dinheiro e a qualidade como motivadores de compra para a maioria dos seus clientes, de modo a conseguir garantir resultados [positivos]».