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Nova ciclo na Hanesbrands

Há um tema emergente em muitas apresentações de resultados no momento: elas não são tanto sobre os resultados do passado, mas preocupam-se mais com o que está ao virar da esquina. Tal não é de todo surpreendente com o mercado de retalho nos EUA a mostrar sinais de recuperação, após uns difíceis 18 meses ou mais. Os analistas já conhecem as más notícias de 2008/2009, agora querem saber como as empresas irão explorar o potencial emergente de 2010. Para a Hanesbrands, a resposta é relativamente simples: deixar para trás todos os pensamentos de 2009 e lucros severamente diminuídos e, com base nos sinais de melhoria do quarto trimestre, olhar em frente para a promessa de crescimento em 2010. Para alcançar este objectivo, a empresa implementou diversas medidas, como uma base de fornecimento mais barata para aumentar as margens, melhor distribuição e plataformas de retalho para impulsionar o crescimento das receitas, e melhor financiamento para reduzir os juros. «Os ganhos são impulsionados pelo simples facto de que, apesar de estarmos na primeira ou segunda posição em todas as nossas categorias de base, ainda não somos o número um ou o número dois em todas as contas ou em todos os nossos programas centrais», afirmou Richard Noll, director-executivo da empresa, aos analistas. «Em 2010, estamos a aumentar a nossa quota de mercado, aproveitando esses espaços vazios de distribuição», acrescentou o responsável. A empresa espera um pequeno aumento de 6% nas vendas do primeiro semestre e pelo menos 4% (mas possivelmente mais) no segundo. Noll revelou ainda ter uma resposta para o risco de inflação: «como referi antes, se a inflação se tornar sistémica, com as nossas marcas fortes, temos a capacidade do preço. Já estamos a ver os preços a moverem-se no sector e podemos antever essa tendência a continuar». O resultado de todo este optimismo é a previsão decididamente alta, de pelo menos 25%, de crescimento por acção em 2010, com esse número eventualmente a chegar aos 35% com o aumento da confiança do consumidor e o aumento dos preços. E, se isso vier a acontecer, quantas pessoas ainda se lembrarão dos números de 2009? Os lucros da Hanesbrands registaram uma queda de 60% em 2009, cifrando-se nos 51,3 milhões de dólares. Segundo a empresa, as vendas caíram 7%, para os 3,9 mil milhões de dólares, apesar de um aumento de 1% nas vendas líquidas ajustadas do quarto trimestre, para os 988,7 milhões de dólares. A Hanesbrands apresentou um prejuízo de 1,1 milhões de dólares no quarto trimestre, contrastando com um lucro de 17,9 milhões conseguido em igual período do ano anterior, com os custos mais elevados a serem um factor determinante para o declínio nos ganhos.