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Nova geração de têxteis cirúrgicos reutilizáveis

A pensar no aumento dos padrões de higiene e segurança médica e nos problemas de dimensão económica e ecológica a nível médico-cirúrgico, foram desenvolvidos materiais reutilizáveis de nova geração (batas e campos operatórios) que se apresentam francamente competitivos em relação aos materiais descartáveis. No projecto foram envolvidas três empresas (de Portugal, Alemanha e Áustria) e dois hospitais (Prelada, no Porto, e Reinickendorf, em Berlim) Nos países da União Europeia realizam-se mais de 30 milhões de cirurgias por ano, estimando-se que destas uma percentagem significativa conduzem a infecções que levam, muitas vezes, ao prolongamento da estadia do doente no hospital, podendo até, ocasionalmente, provocar a morte do paciente. A protecção adequada entre o doente e a equipa cirúrgica, assegurada essencialmente pelas batas e campos operatórios, é assim essencial para reduzir a frequência deste fenómeno. Os artigos tradicionais, à base de algodão, não asseguram um efeito de protecção adequado e libertam partículas, razão pela qual deixarão de poder ser utilizados face ao desenvolvimento da normalização europeia nesta área. Por outro lado, os materiais descartáveis alternativos têm como inconveniente o facto de produzirem um significativo volume de resíduos hospitalares, normalmente destruídos por incineração, com todos os problemas e custos – nomeadamente ambientais – que este processo acarreta. Alicerçado nestes dados, foi lançado e agora concluído com sucesso o projecto MEDTEX, coordenado pelo CITEVE – Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal e que contou com o co-financiamento da Comissão Europeia. O objectivo deste projecto foi precisamente «o desenvolvimento materiais reutilizáveis de nova geração, contendo uma membrana que lhes concede um efeito barreira aos microrganismos, com resistência acrescida aos processos de lavagem e esterilização», esclarece Luís Almeida, coordenador do projecto. Resultados encorajadores O MEDTEX envolveu ensaios efectuados em dois hospitais: Hospital da Prelada, no Porto, e Hospital Reinickendorf, em Berlim, na Alemanha. Para os ensaios em Portugal, foram confeccionadas 100 batas na empresa portuguesa FAPOMED, com os materiais desenvolvidos pela empresa alemã BERNARD, contendo uma membrana aplicada por um processo de laminagem especialmente patenteado, na empresa austríaca VOACK. Estas batas foram utilizadas no Hospital da Prelada, num total de 1445 operações, até se atingirem 40 ciclos (cirurgia – lavagem/secagem – esterilização) num número significativo de batas. De 10 em 10 ciclos foram retiradas duas batas para ensaio, os quais foram realizados no CITEVE, na Universidade do Minho e no Instituto Têxtil de Denkendorf, na Alemanha. Ensaios semelhantes foram realizados no Hospital em Berlim, envolvendo também campos operatórios e testes específicos de impermeabilidade dos materiais aos germes. «Com base nesta experiência, foi desenvolvido em paralelo um sistema acelerado que permite simular as condições de lavagem, secagem e esterilização, com o qual foram ensaiados materiais com resistência melhorada. Os resultados permitem atingir pelo menos 90 ciclos, o que torna as batas e os campos operatórios francamente competitivos em relação aos materiais descartáveis», conclui Luís Almeida. Entretanto, os resultados deste projecto vão ser apresentados no evento PONTES III – Medicina e Tecnologia – que vai decorrer na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, nos dias 16 e 17 de Janeiro.