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Nova vaga a cores

Sies Marjan, Finery e Rejina Pyo são três marcas que fazem de paletas de cor disruptivas o seu cartão de visita e assim têm conseguido pintar negócios de sucesso. A cor é uma das formas mais primitivas de comunicação – de imediato se associa uma combinação de amarelo e preto a perigo ou toxicidade. De igual modo, a mente tem noção de que os verdes e azuis significam ecologia e equilíbrio.

A criação e o styling da paleta de cor tradicional colocam a harmonia das cores à frente e ao centro de tudo – sendo a harmonia das cores um equilíbrio de matizes. O sistema de cores Coloro, por exemplo, oferece uma seleção detalhada de 3.500 cores, dispostas metodicamente por matiz, leveza e saturação ou intensidade (chroma).

De acordo com o portal de tendências WGSN, a harmonia de cor envolve o espectador/consumidor e cria um sentido de ordem e, tratando-se de marcas, impulsiona o seu apelo comercial. No entanto, cada vez mais marcas estão a afastar-se do status quo e, em última análise, a apostar na individualidade num ambiente de retalho lotado com paletas de cor disruptivas.

Um dos primeiros designers a abordar a paleta de cor desta forma foi o artista dinamarquês Verner Panton. Para Panton, a cor era mais importante do que a forma, e os estudos recentes vão corroborando essa posição. Estatísticas da Emerald Insight mostram que «até 90% dos julgamentos de impulso sobre os produtos têm por base a sua cor».

O principal objetivo de Verner Panton era usar a cor para transportar as pessoas para ambientes desconhecidos e iluminar o papel táctil da sua imaginação, porque, nas suas palavras, «a maioria das pessoas passa a vida numa conformidade de bege, morta de medo de usar cor».

Contudo, esta abordagem à cor não deixa de ser arriscada para as marcas de vestuário, podendo determinar o seu sucesso ou apontar-lhes um fim.

Eis as três marcas que, na opinião dos especialistas, estão no bom caminho em termos de exploração da paleta de cor disruptiva.

Sies Marjan

Fundada por Sander Lak, a marca Sies Marjan teve a sua estreia na semana da moda de Nova Iorque dedicada ao outono-inverno 2016/2017.

Nessa coleção, o designer misturou no mesmo coordenado – e ao longo de grande parte do seu alinhamento – tangerina, rosa néon e diferentes gradações de azul que resultaram num inverno bem diferente daquele que é tradicionalmente proposto pelo trio azul-marinho, preto e cinza.

«O que sabemos até agora é que a cliente Sies Marjan adora cor. Começamos sempre pela cor. Quaisquer que sejam as referências da coleção, elas vêm das cores», explicou Lak à Vogue americana antes do desfile inaugural.

Finery

A Finery é uma marca online de pronto-a-vestir feminino com um «ponto de vista único». Desde o seu lançamento, em 2014, a Finery tem mostrado que não tem medo de arriscar nos tons garridos, tanto em termos de produto como de styling. O vermelho, o amarelo e o cor-de-rosa são alguns dos tons mais usados nas coleções.

Rejina Pyo

No desenvolvimento das coleções da marca epónima, a designer Rejina Pyo bebe inspiração numa miríade de referências. «Admiro os melhores artistas; a pureza no trabalho inspira-me. O atelier Brancusi, em Paris, é tão bonito. Adoro as esculturas de Isamu Noguchi e a energia espontânea de Isa Genzken, Jessica Stockholder. A instalação de Olafur Eliasson é incrível», apontou uma altura em declarações ao portal Who What Wear (ver: Rejina Pyo: marca de blogger). Por isso, cada uma das peças da marca é uma tela em branco. As coleções da designer sul-coreana, atualmente sediada em Londres, são comercialmente bem-sucedidas e usadas por algumas das mulheres mais relevantes da indústria da moda.