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Novo comandante no Bloom

Depois da marcha Sul-Norte, o segundo dia de desfiles do Portugal Fashion tomou de assalto o 3.º piso do Palácio dos CTT, na Baixa do Porto, edifício que, inacabado, não poderia estar mais de acordo com o espírito da plataforma dedicada àqueles que ainda estão a construir-se como designers de moda. A par das novidades no alinhamento, o designer Paulo Cravo assumiu nesta edição o papel de coordenador e mostrou pulso firme a comandar os novos recrutas da fileira moda nacional.

Eduardo Amorim

Às 40 edições, o Portugal Fashion continua a caminhar lado a lado com o talento emergente e, pela segunda vez consecutiva, naquele que foi o seu 14.º alinhamento, o Bloom garantiu um calendário próprio, numa lógica de autonomização dos desfiles dos jovens designers face à passerelle principal.

Sara Maia

Num vaivém entre os diferentes espaços de bastidores esteve Paulo Cravo, o novo coordenador da plataforma, que resumiu ao Portugal Têxtil aquilo que têm sido os últimos meses na chefia das jovens tropas do Portugal Fashion. «Acaba por ser um novo desafio, até agora houve a preparação nestes dois meses e mais alguns dias e foi relativamente pacífica. Eu sou uma pessoa muito profissional, gosto muito de cumprir os timings e as regras e não quero, de forma alguma, perder o controlo, mas até agora está a correr muito bem, tirando um ou outro contratempo», afirmou entre um e outro conselho, um ou dois raspanetes.

Beatriz Bettencourt

Paulo Cravo partilhou o nervosismo da estreia com a jovem designer Mariana Almeida que encaminhou pela primeira vez uma coleção sua para a passerelle – dividida em desfile coletivo com a coleção «inspirada no mundo dos sonhos» de Beatriz Bettencourt. Inspirada pelo metro do Porto e pela primeira estrela do ténis feminino, Suzanne Lenglen, Mariana Almeida trabalhou materiais técnicos em plissados «que partiram do foile do metro» e peças amplas «motivadas pela força da Suzanne Lenglen», numa coleção dominada pelo preto e intersetada pelo verde.

Pela primeira vez no calendário que é também uma celebração da cultura urbana – nos intervalos dos desfiles, as paredes do Palácio dos CTT vibraram com a batida dos DJ sets de Alfredo, Maria e DJ KITTEN –, estiveram ainda a marca Amarphous, assinada pela designer Carla Alves e a jovem designer Tânia Nicole (Nycole), que em 2016 conquistou o prémio FashionClash da ModaLisboa, apresentando a sua coleção em Maastricht, Holanda.

Maria Kobrock

Ainda assim, nem só pelas mãos dos estreantes se levantou a plataforma do Bloom e, nesta edição, regressaram ao quartel Eduardo Amorim, Maria Kobrock, Pedro Neto, David Catalán, Sara Maia e, a apagar a luz do Palácio dos CTT, o talento emergente de Inês Torcato.

Eduardo Amorim

Como prova da sua maturidade, Eduardo Amorim e David Catalán expuseram a alfaiataria clássica aos elementos do streetwear e Maria Kobrock propôs uma coleção, nas palavras da designer, «mais usável, mais comercial, ainda que não goste muito dessa expressão», em tons de azul. Igual mantra seguiu Sara Maia, atualmente «100% dedicada à marca» e ao seu portal de comércio eletrónico, continuando a apostar nas malhas com apontamentos gráficos, depois de perceber o seu sucesso junto das clientes.

Pedro Neto

Com a coleção de homem a afirmar-se depois da estreia na última edição do Bloom, Pedro Neto tem também vindo a alargar o seu leque de clientes com propostas mais adultas, que «apesar de continuarem a agradar às clientes habituais, permitem conquistar novos públicos». Com essa estratégia em mente, a coleção do jovem designer, que mais uma vez bebeu inspiração na arte, mais precisamente no quadro pré-rafaelita de John Williams Waterhouse “The Lady of Shalott, definiu as silhuetas, quebrando com o oversized de estações anteriores.

Os veludos da Gierlings Velpor, os pelos curtos, rendas, malha cardada e apontamentos de paiettes e com acabamentos impermeáveis, lurex e plissados irregulares – muitos deles vindos da empresa de tecidos 6 Dias – foram os materiais eleitos para “Afloat”.

Com Paulo Cravo aparentemente a baixar a guarda, depois de percebido o sucesso do dia – com a sala improvisada no 3.º andar do Palácio dos CTT sempre cheia –, coube a Inês Torcato fechar o calendário da edição outono-inverno 2017/2018 do Bloom.

Inês Torcato

A jovem designer que tem vindo a conhecer o sucesso, também, além-fronteiras, com o nome referenciado na edição de fevereiro de 2017 da Vogue Talents e, no mesmo mês, convidada a participar na feira Pitti Super, na plataforma “Super Talents” em parceria com a Vogue Itália, fechou com a alfaiataria de “Self-Portrait (Bridge)”.

«Continuo com homem e mulher, com as inspirações da alfaiataria, como as riscas de giz, mas tenho muitos acolchoados, o que retira um pouco o seu ar formal», destacou ao Portugal Têxtil, ressalvando que, contrariamente ao que aconteceu em coleções anteriores, esta está livre de preto. «O que para mim é uma vitória, mas continuo com tons escuros como o azul-marinho e o cinza», acrescentou.

A ternura dos 40 do Portugal Fashion segue agora para o seu terceiro dia de desfiles, como nomes como Katty Xiomara, Diogo Miranda, Luís Onofre e Carlos Gil a mostrarem a sua visão de inverno no Centro Português de Fotografia e na Alfândega do Porto.