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Novo fôlego para a ITV do Quénia – Parte 1

As exportações de vestuÁrio do Quénia sofreram um grave revés, no início deste ano, quando a violência étnica eclodiu em todo o país. As encomendas estão agora a regressar e os produtores de vestuÁrio depositam as suas esperanças num novo acordo comercial de curto prazo com a UE, para conseguirem dinamizar as suas vendas na Europa. Apesar do Quénia produzir algodão, possuir um elevado número de grandes fÁbricas de têxteis e exportar quantidades significativas de vestuÁrio para os EUA, ainda não conseguiu cativar os compradores europeus de vestuÁrio. O sucesso das exportações de vestuÁrio do Quénia para os EUA deve-se unicamente ao sistema de apoio AGOA (African Growth and Opportunity Act). Os EUA lançaram o AGOA em 2000, dando aos países africanos a Sul do Sahara o direito de exportar, sob determinadas condições, artigos de vestuÁrio isentos de quotas para o mercado norte-americano. Ao abrigo deste regime, as exportações de vestuÁrio queniano para os EUA subiram dos 6 milhões de peças em 2000 para 63,3 milhões de peças em 2007. O valor correspondente aumentou dos 30 milhões de dólares em 2000 para os 241,6 milhões de dólares em 2007. Entre os principais clientes incluem-se a Target, JC Penney, Wal-Mart e Levi Strauss. O emprego no sector aumentou das 10.000 pessoas em dez fÁbricas exportadoras de vestuÁrio em 2000 para um pico de 37.000 pessoas em 40 fÁbricas em 2003. No entanto, devido principalmente à forte concorrência chinesa no mercado norte-americano, o crescimento das exportações quenianas para os EUA começou a fragilizar em 2004, ainda antes da eliminação das quotas entre os membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) no final desse ano. A última lista dos membros do KAMEA (Kenyan Apparel Manufacturers and Exporters Association), revela apenas 24 empresas. Ainda não estão disponíveis estatísticas mais recentes do emprego no sector de vestuÁrio para exportação, mas estima-se que o número actual de trabalhadores não exceda os 25.000. A violência étnica em algumas partes do Quénia, que surgiu a partir de tensões políticas em Janeiro de 2008, na sequência das eleições presidenciais, representou um desafio para o sector de vestuÁrio. Jonathan Chifallu, director de relações públicas na EPZA (Export Processing Zones Authority), explica que a indústria de vestuÁrio é um negócio de movimento rÁpido. Quando MadagÁscar registou convulsões políticas em 2002, grandes compradores de vestuÁrio desviaram as suas encomendas para o Quénia. De igual modo, o nosso desafio no início deste ano provocou que algumas encomendas fossem desviadas para outros países concorrentes». Todas as manhãs, dezenas de potenciais trabalhadores reúnem-se na entrada do Athi River Export Processing Zone, perto de Nairobi, na esperança de serem chamados para um trabalho. Ainda não hÁ muito tempo, esta mesma zona industrial representava perto de 13.000 postos de trabalho. Este valor situa-se actualmente em cerca de 7.000. Mas o número total de postos de trabalho nas EPZ estÁ em 35.000 (vestuÁrio e outras exportações combinadas) a nível nacional. No entanto, na sequência da assinatura de um acordo de paz negociado pelo ex-secretÁrio geral da ONU, Kofi Annan, e com a formação de uma grande coligação governamental, o sector jÁ estÁ novamente em ascenção. Compradores de vestuÁrio como a Jones Apparel manifestaram o seu compromisso de abastecimento a partir do Quénia e realizaram recentemente um seminÁrio no país sobre a responsabilidade social. Considerando a estabilidade política que foi aparentemente retomada, Margaret Waithaka, directora de novos investimentos na EPZA (Export Processing Zones Authority), espera que o emprego no Quénia vÁ em breve subir novamente nas empresas de vestuÁrio vocacionadas para exportação. Waithaka chama a atenção para o novo acordo provisório estabelecido entre a UE e o Quénia, o Economic Partnership Agreement (EPA) que estÁ em vigor desde o dia 1 de Janeiro de 2008. A directora de novos investimentos na EPZA afirma ainda que incentivamos activamente os fabricantes que estão qualificados a exportar para o mercado americano ao abrigo do AGOA a diversificarem para o mercado europeu». Na segunda parte do artigo, vamos abordar o papel que o novo acordo comercial pode desempenhar na dinamização do sector de vestuÁrio no Quénia.