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Novo Modtissimo na Alfândega: aposta ganha!

Nos passados dias 7 e 8 de Março decorreu a 27ª edição do renovado Modtissimo, na sua nova ”casa”, no Edifício da Alfândega do Porto. O balanço geral da feira é extremamente positivo dada a afluência de visitantes e compradores ao certame. Os números da 27ª edição são: 208 expositores (98 na Colecção de Tecidos e Acessórios Têxteis, 96 na Colecção de Confecção e 14 nos Serviços), 3.502 visitantes (82 estrangeiros, especialmente de Espanha, Holanda e Alemanha, e 3.420 nacionais). Lembramos que a edição homóloga do ano passado contou com 194 expositores e 2.957 visitantes. Estes números revelam um aumento de cerca de 25% no que diz respeito aos visitantes. A maioria dos profissionais presentes está de acordo que o Edifício da Alfândega é um espaço mais adequado à dimensão e natureza do evento, e permite dar-lhe uma imagem muito mais fashion e internacional. Esta edição foi preparada, à semelhança das tendências internacionais, como instrumento de marketing ao serviço do sector têxtil nacional. O típico pavilhão de exposição foi substituído por salas: a Sala Nascente, para Tecidos e Acessórios para Confecção, a Sala Poente, para Confecção Portuguesa e Acessórios e Moda, e Sala dos Têxteis do Futuro. Os stands com nova imagem, simples e atractiva convidava os visitantes a entrar e a apreciar as tendências de moda. Os tradicionais desfiles de moda foram substituídos por “Momentos de Moda”, que decorreram ao longo dos dois dias, cujo conceito pretendia promover os visitantes a interagirem com as roupas que iam passando. Segundo a organização, «este será um dos aspectos, entre outros, a serem repensados, uma vez que o resultado final não foi o esperado». O Concurso “Jovens Criadores” é uma das áreas do Modtissimo que atrai sempre muitos curiosos: ou empresários interessados em captar novos talentos para as suas empresas ou simples curiosos que gostam de saber o que desenvolvem os alunos das Escolas de Moda portuguesas. Nesta edição o júri foi constituído por dois jornalistas, Maite Ruiz-Atela (Global Fashion, Espanha) e Sara Oliveira (JN), um estilista nacional, Pedro Pedro, da dupla Pedro Waterland, e um representante da empresa Encoder, a designer Célia Castro. E os vencedores (ver artigo anterior) foram: Lízia Lima, da Escola de Moda do Porto, com a colaboração da Socorte, 1º lugar, Pedro Silva, da Academia de Moda, com a colaboração da Heliotextil, 2º lugar, e Joselina de Sousa Ferreira, da Universidade da Beira Interior, com a colaboração da Têxtil Mouras do Pereirinho, 3º lugar. Ainda há que salientar que o Modtissimo é organizado pela Associação Selectiva Moda, constituída pela ATP (Associação Têxtil e Vestuário de Portugal), ANIL (Associação Nacional dos Industriais de Lanificios) e que conta com a parceria pública do ICEP Portugal (Instituto das Empresas para os Mercados Externos) e do PRIME. Para Alfredo Rezende, presidente da Associação Selectiva Moda, «esta edição correu muito bem. Assumimos que esta alteração tão radical foi um risco, mas um risco pensado. A organização está muito satisfeita, até porque além do crescimento do número de visitantes, as reacções dos expositores foram muito positivas. Apesar de haver alguns aspectos que terão de ser melhorados e repensados, as perspectivas de crescimento em número e em qualidade são óptimas. Queremos cativar mais expositores e mais compradores». Quanto à promoção externa do evento, da responsabilidade do ICEP, Alfredo Rezende pensa que a estratégia terá de ser alterada, «focalizando-se, talvez, em determinados mercados pré-seleccionados». O Portugal Têxtil (PT) recolheu a opinião de diferentes expositores. No espaço dos Tecidos e Acessórios Têxteis, a Lemar, pela voz de Fátima Silva, disse que «esta edição superou as expectativas. Gostámos muito da localização do nosso stand e do espaço. Quanto à afluência, esta foi superior, quer em número, quer em qualidade, e quanto à organização, foi inexcedível». Miguel Mendes, da A. Sampaio, entendeu que «a mudança teve aspectos positivos e negativos, mas estes são passíveis de melhorarem. Mas o nosso balanço interno indica que, em termos de contactos, esta edição correu ligeiramente melhor que as anteriores». Para a LMA, segundo Manuela Soares, «este Modtissimo correu melhor do que as edições anteriores, com uma dinâmica diferente, mas temos de assumir que é uma feira cada vez menos comercial e cada vez mais de imagem. É pena que a divulgação a nível internacional seja tão reduzida, o que resulta em poucos visitantes estrangeiros». Quanto às datas, sublinha que o salão “perde” por ser a última feira do sector. Do espaço dedicado à Confecção Portuguesa e Acessórios e Moda, Maria da Guia, da Babex, afirmou ao PT «que a mudança foi muito positiva. O espaço da Alfândega é mais acolhedor. A afluência de visitantes foi superior, com muitos curiosos, mas, surpreendentemente, tivemos dois contactos com clientes estrangeiros que se podem vir a revelar muito interessantes.». No entanto, Maria da Guia não quis deixar de salientar que considera as datas e os horários pouco adequados, «por um lado, em Janeiro seria o ideal, e por outro, prolongar o horário até às 23 horas ou prever um dia de fim-de-semana, seria também muito útil». Orlando Miranda, da Olmac, considerou que «em termos gerais, o balanço é reservado. O local é bonito, mas necessita de outro tipo de decoração. Por outro lado, sendo no centro do Porto, os acessos são difíceis. Além disso, aponto como problemas principais, que naturalmente poderão ser resolvidos, a dificuldade de estacionamento e o local escolhido para o desfile. No entanto, para a Olmac, o balanço foi positivo, visto que o objectivo era dar a conhecer a nossa nova marca, Myükÿ». Para Paulo Faria, da Paula Borges, «a aposta foi ganha. Gostei muito do espaço e do conceito renovado, mais moderno, mais “moda”. Pareceu-me que o número de visitantes foi superior, com mais estrangeiros e os contactos estabelecidos têm boas probabilidades de terem continuidade».