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Novo trio de ataque no turismo industrial

O roteiro de turismo industrial deu as boas-vindas a três novos destinos, acrescentando a Bulhosas, a Flexitex e a Molaflex ao mapa que contempla as maiores empresas do concelho de S. João da Madeira.

O projeto criado pela Câmara Municipal nasceu em 2012 com os objetivos de preservar o legado arqueológico industrial da cidade e abrir portas ao público interessado em visitar as empresas que fazem parte desta rota industrial, como pode constatar o Portugal Têxtil.

«O turismo industrial é uma verdadeira marca do concelho e é, provavelmente, o projeto que mais afirma a nossa componente industrial que é a maior marca do nosso território», sublinhou o vice-presidente da câmara municipal de S. João da Madeira, Paulo Cavaleiro, no discurso de apresentação na passada quinta-feira.

Foi com recurso à bicicleta parada em frente à sala museu da Bulhosas, que recuámos a 1935, início da atividade da empresa, tempo em que o fundador, Alberto Rodrigues Bulhosa, pedalava porta a porta, pelo país, oferecendo os seus serviços em impressão de conteúdos gráficos para forros e tiras para chapéus.

Atualmente gerida pelos netos, Alberto e Sílvio, e com uma gama diversificada de produtos, a Bulhosas dedica-se à produção de artes gráficas e de produtos fabricados por injeção de plástico, assumindo-se como empresa de renome internacional.

O presidente da autarquia local, Ricardo Oliveira Figueiredo, salientou o percurso da empresa que afirmou ter acompanhado a «evolução da nossa cidade» e de ter sido «um dos protagonistas na evolução», homenageando o «desempenho no plano da participação cívica» e retratando-a como «uma inspiração para todos».

Pioneira no sector da colchoaria e líder de mercado até aos dias de hoje em Portugal, a Molaflex surge em 1951 como uma alavanca para o desenvolvimento industrial de S. João da Madeira.

É com referência ao seu contributo no aparecimento de outras industrias na região, nomeadamente automóvel, e com a necessidade da instalação dos fornecedores na proximidade que se enfatiza o papel da empresa enquanto dinamizadora da economia local.

O diretor-geral Victor Marinheiro admitiu que o objetivo da Molaflex é «crescer sustentadamente todos os anos, para cada vez poder gerar mais valor acrescentado no país e no concelho». A empresa emprega cerca de 350 pessoas e regista um volume de faturação na ordem dos 30 milhões.

Decorria o ano de 1964 quando a Flexitex arrancava com os primeiros teares para produção de tecido jacquard destinado a colchões. Foi como fornecedor exclusivo da Molaflex que, durante os primeiros anos, a empresa consolidou o negócio e logo partiu para outros mercados, estabelecendo-se, atualmente, como uma das mais importantes empresas locais.

Para Domingos Leite de Castro, diretor da Flexitex, existem vantagens que acredita serem inerentes à entrada no património industrial e que vão no sentido de «publicitar aquilo que estamos a fazer e, ao mesmo tempo, para as pessoas que trabalham é um orgulho mostrarem o que fazem», realçando a importância desta exposição pública para a atratividade de mais mão de obra, aspeto igualmente referido pelo diretor-geral da Moliflex, face à dificuldade que as empresas locais têm na contratação e fixação de trabalhadores.

O circuito do Património Industrial engloba ainda empresas como a Viarco, a única fábrica portuguesa de lápis em atividade, a Helsar e a Evereste, do sector do calçado, a Cortadoria Nacional de Pêlo e a Fepsa, da indústria da chapelaria, e a Heliotêxtil, da área das passamanarias. O projeto inclui também na sua rota o Museu da Chapelaria, o Museu do Calçado, a Oliva Creative Factory – espaço que serve de casa para algumas marcas locais – e a própria Torre da Oliva, às quais pertence a Academia de Design e Calçado e o Centro Tecnológico do Calçado de Portugal.