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Novos materiais avançados

Pigmentos termocromáticos, materiais com mudança de forma e eletrónica têxtil foram os três vetores que permitiram a Isabel Cabral desenvolver filtros de luz dinâmica, um projeto que apresentou hoje no iTecStyle Summit’18, uma iniciativa do Citeve em parceria com a Associação Selectiva Moda a decorrer até sexta-feira no Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões.

Isabel Cabral, cuja tese de doutoramento será defendida em breve, contou com Pedro Souto da Universidade do Minho e Linda Worbin da Universidade de Borås, na Suécia, como orientadores neste projeto que conjuga engenharia têxtil com design. «O meu interesse era trabalhar as propriedades do tecido, não só as físicas, mas as dinâmicas, interativas, e as questões que isso levanta, como é que se desenha o comportamento têxtil em tecidos que alteram a transmitância de luz», revelou Isabel Cabral ao Jornal Têxtil (edição de novembro de 2017).

Numa primeira fase, a atenção foi dada aos pigmentos termocromáticos, que foram estudados e conjugados com pigmentos convencionais de forma a permitir baixar os custos e, ao mesmo tempo, ter uma maior fiabilidade no tingimento. «O que estamos a fazer é uma base de dados para cada pigmento convencional, uma base de dados para cada pigmento termocromático, portanto, cinco a seis concentrações para cada uma delas, e obtemos a mesma cor. Por ação do calor, conseguimos fazer o jogo de cores», explicou o orientador da tese de doutoramento, Pedro Souto.

Mas este estudo, que foi demonstrado durante a iniciativa “O têxtil é uma festa” com uma passadeira – concretizada por um processo de estamparia por quadros na Otojal – que serviu de passerelle para um desfile de moda, é apenas parte do projeto desenvolvido.

Isabel Cabral trabalhou também com fios condutores como forma de alterar a temperatura e controlar o efeito dos pigmentos termocromáticos. «Estamos a aquecer o tecido nas áreas que queremos e dessa forma estamos a fazer com que mude de cor sem ter de aplicar calor sobre ele», esclareceu Pedro Souto.

A terceira área de investigação debruçou-se sobre os materiais com memória de forma, que são programados para se mexerem de determinada forma quando ativados. «Trabalhamos com nitinol, que é uma liga de níquel e titânio, e foi integrado diretamente na tecelagem [numa estrutura de tafetá com mistura algodão/poliéster]. Esse fio pode ser deformado quando está abaixo da temperatura de variação dele e quando é aquecido volta à forma que foi memorizada», desvendou Isabel Cabral.

O projeto já atraiu a atenção do Museu da Ikea, onde esteve exposto até janeiro numa exposição temporária batizada Textile Playground, na ala Textiles Futures. Em Portugal, um protótipo esteve na Casa da Música no início de 2017, interagindo em função da música e do movimento de pessoas à sua volta.

Paulo Correia, Isabel Cabral, Nils Jongh, Helena Felgueiras e Clara Pereira

«Interessa-me bastante trabalhar com novas tecnologias e continuar a pensar no que significa desenhar com novas tecnologias. Não se trata apenas de uma t-shirt mudar de cor de rosa para amarelo, mas quando desenhamos com tecidos que são dinâmicos e interativos, o que é que podemos desenhar com eles e como é que desenhamos com a componente de tempo e movimento. Pode ter uma componente expressiva, mas pode também ter uma componente funcional no que poderão vir a ser os têxteis do futuro», confessou Isabel Cabral.

Esta sessão onde interveio Isabel Cabral, consagrada aos novos materiais avançados, contou ainda com a participação de Helena Felgueiras, investigadora do Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil da Universidade do Minho, que tem procurado desenvolver uma nova geração de curativos de base têxtil funcionalizados com peptídeos antimicrobianos. «As feridas crónicas precisam de um conjunto de terapias mais bem sucedidas», afirmou a investigadora do 2C2T.  «O que queremos é uma [terapia] para acelerar a regeneração e combater a colonização bacteriana. Estamos a fazer algo semelhante a pele», explicou.

Já Clara Pereira, investigadora da Universidade do Porto, abordou a integração de eletrónica nos têxteis para armazenamento de energia no âmbito dos trabalhos que o Requimte, o laboratório de I&D do qual faz parte, tem vindo a realizar.

«A área do têxtil-lar é a que está com maiores perspetivas de crescimento. Mas para isso precisa de um sistema de alimentação. Agora o que existe são baterias, por exemplo na roupa, mas não estão integradas no têxtil e temos que arranjar soluções que permitem colmatar estes problemas. Temos que conjugar as vantagens dos supercondensadores e a energia armazenada nas baterias», revelou Clara Pereira.

Na mesma sessão intervieram ainda Nils Jongh da ADI/Tanatex e Paulo Correia da Fisipe, que apresentaram as mais recentes novidades destas empresas, o Panox para a especialista em percursores de fibra de carbono pertencente ao grupo SGL, que se caracteriza por um comportamento antifogo intrínseco à sua estrutura química, e o Sciessent Lava XL, «que não disfarça os odores mas sim captura-os», como garantiu o Business Development Manager da ADI/Tanatex.