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Novos rumos para a ITV

Realizado pela ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, o “Plano Estratégico Têxtil 2020” foi apresentado ontem em Vila Nova de Famalicão, numa sessão que contou ainda com a apresentação das tendências que irão influenciar o negócio nos próximos anos. As dezanove tendências e uma não-tendência foram compiladas e apresentadas por Daniel Agis, um dos mais reputados especialistas em marketing têxtil e moda europeu. «Estas 19 tendências traçam um cenário global, não estão concentradas na realidade nacional como o plano. São inputs que podem vir a ser interessantes para esta área», explicou. Daniel Agis afirmou que «a China aumentará a sua influência e irá dominar», pelo que a Europa que produz terá de encontrar alternativas. «A indústria têxtil e vestuário europeia não recuperará a quota de mercado do passado. Concorrerá num binário alternativo, cujos eixos serão o comércio eletrónico, a alta gama e a tecnologia», justificou o especialista. Em termos de retalho, Daniel Agis apontou a reorganização do subsector da distribuição como uma grande tendência. «O processo de comercialização em todas as realidades será omnicanal, com a integração dos formatos físicos e virtuais», explicou. As lojas físicas serão, cada vez mais, espaços também de entretenimento e a promoção da moda será reinventada. «Os salões de moda serão plataformas alargadas no tempo, no tipo de produto e geografia. A imprensa e as passerelles estarão conectadas ao lado prático do e-commerce», referiu. Para Daniel Agis, estas tendências mostram que «nada exclui a Europa e as suas empresas de desenvolverem negócios competitivos e lucrativos neste sector, mas será fundamental potenciar a integração estratégica de uma fileira na qual a posição de cada interveniente é cada vez mais clara». Além disso, sublinhou, «a criatividade deve ser contemplada numa ótica a 360º», onde se tem em conta a conceptualização do negócio, estilo, relacionamento com o consumidor, comunicação e comercialização. «O êxito é um mix de autoconhecimento desapaixonado e convicção exteriorizada», resumiu. Antes, Paulo Vaz, diretor-geral da ATP, tinha já apresentado as linhas gerais do Plano Estratégico do sector para os próximos anos, incluindo o diagnóstico da indústria têxtil e vestuário nacional. «É um sector que emprega diretamente 120 mil pessoas e representa 10% das exportações nacionais», afirmou, destacando ainda que «tem vindo a inverter a curva descendente dos últimos anos – este será o melhor ano desde 2001, com o sector a aumentar as exportações em 9%, para 4,5 mil milhões de euros, mas com muito menos empresas e trabalhadores do que no passado». Após a análise SWOT – forças, fraquezas, oportunidades e ameaças – o diretor da ATP apontou os sete eixos estruturantes da mudança, que passam pela capitalização das empresas e financiamento da atividade, melhoria da gestão das organizações, competitividade para ser concorrencial à escala global, inovação, valorização dos recursos humanos, imagem e visibilidade do sector e empreendedorismo, e os três caminhos possíveis para a indústria têxtil e vestuário: aposta na moda, diversificação industrial e o “private label”. Quanto ao futuro, dos três cenários possíveis – chumbo, prata e ouro –, Paulo Vaz está convencido que a indústria têxtil e vestuário caminha para este último. «Acredito nele hoje mais do que há quatro ou cinco anos atrás. Todos os indicadores apontam para isto: 5 mil empresas, 100 mil trabalhadores diretos, 6,5 mil milhões de euros de volume de negócios e 5 mil milhões de euros de exportações». O diretor-geral da ATP terminou a apresentação com as recomendações para a administração pública, os centros de competências e as empresas que constam do Plano Estratégico que foi distribuído no final.