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Novos super-homens – Parte 1

O futuro chegou e não está apenas do outro lado da tela cinematográfica. Vem acompanhado da vanguarda tecnológica e da ciência, convertida em benefício da potencialização das qualidades humanas e da sua salvaguarda.

Super-sentidos
O conceito de super-sentidos, que inclui visão raio-X, a habilidade de ver através de objetos sólidos, ouvir cores e eletricidade, não é apenas ficção científica. A visão super-humana é atualmente o maior campo de investigação. Especialistas suíços estão a testar lentes de contacto telescópicas, que permitem um zoom de ampliação de até três vezes a visão convencional e cientistas americanos conseguiram dotar um homem de visão noturna de até 50 metros. Neil Harbisson, um autoproclamado cyborg, não ambicionava ter visão sobre-humana quando criou o Eyeborg – apenas pretendia curar o seu daltonismo.

Em resultado, criou um dispositivo que deteta a frequência de uma cor e atribui um micro-tom a cada tonalidade, permitindo a Harbisson escutar as cores. Brevemente também poderá ser possível escutar fluxos de dados. As empresas Phantom Terrains e Halo estão a testar um protótipo que permite aos utilizadores ouvir sons eletromagnéticos. Uma tecnologia semelhante é usada em aparelhos de radar portáteis, permitindo escutar através de paredes. Eventualmente, esta tecnologia transitará de aparelhos portáteis para wearables, resultando em visão raio-X para humanos.

O corpo como password
Os executivos do sistema de pagamento eletrónico PayPal acreditam que a ingestão de uma pílula com uma password encriptada poderá ser a nova forma de proteger os utilizadores de uma falha de segurança cibernética. A empresa revelou estar a investir intensivamente no campo da Identificação Corporal Natural (NBI na sigla inglesa), que inclui «dispositivos incorporáveis, injetáveis e ingeríveis que podem substituir passwords como forma de identificação».

A empresa não divulgou ainda qual o sistema de NBI que pretende aplicar, mas existe já uma multitude de produtos em desenvolvimento, incluindo dispositivos ingeríveis potenciados pelo ácido do estômago, implantes cerebrais similares a etiquetas de identificação por radiofrequência e chips com a espessura de uma folha de papel que são incorporados na pele do utilizador. Enquanto o conceito de NBI parece ainda um pouco distante, a Epicenter, a primeira House of Innovation de Estocolmo, dispõe já de 700 funcionários aos quais foram incorporados microchips. Os funcionários do campus Epicenter têm a opção de “chip-in”, na qual o microchip é implantado sob a sua pele.

Uma vez implantado, o chip permite que os trabalhadores abram portas de acesso restrito, partilhem informações de contacto e usem equipamentos de escritório, incluindo fotocopiadoras e scanners.

Detetives da saúde
A realidade médica do futuro antecipa a deteção de uma doença antes mesmo dos primeiros sintomas se fazerem sentir. A implantação de sensores de saúde é a nova fronteira dos cientistas e profissionais médicos, que acreditam que uma deteção precoce das doenças pode salvar vidas e poupar dinheiro. O Tooth Tatto é um sensor wireless que deteta bactérias, incluindo E. coli e salmonela, antes da digestão de alimentos contaminados.

A empresa Proteus Digital Health está a testar uma tecnologia similar com sensores ingeríveis que emitem um número de identificação do interior do paciente, providenciando um registo detalhado das medicações tomadas e do horário da toma. Esta tecnologia pode ajudar a eliminar possíveis overdoses e reações letais a medicamentos. As lentes de contacto inteligentes da Google e Novartis são um dos mais antecipados sensores de saúde.

Com data de lançamento prevista para daqui a cinco anos, as lentes de contacto wearable aferem a glucose nos fluidos lacrimais, enviando a informação diretamente para o paciente ou para o médico. Num momento em que a diabetes afeta 382 milhões de pessoas globalmente, as lentes inteligentes da Google pertencem ao mercado de wearables concebidos para aferição da quantidade de açúcar no sangue, cujo valor deverá atingir os 12 mil milhões de dólares (cerca de 10,9 mil milhões de euros) em 2017.

Dispositivos tóxicos
O aumento contínuo da urbanização mundial está a levar a uma ampliação dos níveis de poluição e exposição a ambientes tóxicos em cidades congestionadas. Enquanto os arquitetos e ambientalistas investem no sistema Eco-Active, os cientistas e tecnológicos dedicam-se ao desenvolvimento de tecnologia wearable que alerta e protege os utilizadores da poluição. Baseado na China, o Any Air é um purificador de ar wearable que filtra até 3.000 litros de ar por hora.

O conjunto está equipado com sensores inteligentes que analisam a qualidade do ar permanentemente e alertam os utilizadores caso estes entrem numa área com elevados níveis de poluição. De forma semelhante, o purificador de ar Hand Tree é um dispositivo de pulso que purifica o ar, emitindo simultaneamente um perfume pré-selecionado. Os biossensores eletroquímicos são hoje uma das principais prioridades do design.

A tecnologia oscila entre uma tinta enzimática que reage às toxinas do ambiente e sensores de silicone com classificação de radiação ultravioleta. Estes sensores serão, brevemente, itens do quotidiano. A recente vaga de contratações de especialistas em biossensores e cientistas pela Apple está a alimentar a especulação da indústria sobre o próximo lançamento da empresa americana, que se poderá estar a preparar para investir em biossensores ambientais e médicos através do Apple Watch. Na segunda parte deste artigo são revelados diversos avanços científicos e tecnológicos que permitem eliminar doenças genéticas, anular os efeitos do envelhecimento e até prolongar a vida humana em mais de um século de existência.