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Novos super-homens – Parte 2

A emergência de novas descobertas científicas e aplicações tecnológicas permitirão brevemente melhorar e prolongar a vida humana, derrubando barreiras até hoje intransponíveis, numa atuação digna de uma obra de ficção científica futurista.

O futuro aproxima-se e com ele o desenvolvimento dos sentidos, os dispositivos de identificação ingeríveis, diagnósticos de doenças que antecipam os primeiros sintomas e biossensores que monitorizam indicadores físicos e ambientais. (ver Novos super-homens – Parte 1)

Criançadas aperfeiçoadas
Em abril de 2015, um laboratório chinês chocou a indústria médica e científica ao utilizar a edição do gene CRISPR-Cas9 (CRISPR) na alteração do ADN de embriões humanos. Em termos leigos, esta nova tecnologia genética é «semelhante a um programa de processamento de texto biológico que encontra e substitui defeitos genéticos». Alguns cientistas acreditam que o CRISPR irá proteger as gerações futuras de doenças e transtornos genéticos. «Também poderá vir a ser possível instalar genes que oferecem proteção ao longo da vida contra as infeções, a doença de Alzheimer e talvez os efeitos do envelhecimento.

Tais avanços médicos podem ser tão importantes para este século como as vacinas foram para o último», afirma Luhan Yang, co-criador do CRISPR. Embora a capacidade de anular doenças genéticas pareça ideal, muitos cientistas opõem-se à tecnologia. «O receio é que a engenharia da linha germinal [CRISPR] seja um caminho rumo a uma distopia de super-pessoas e designer de bebés para aqueles que podem pagar», explica Yang. O debate envolve cientistas e especialistas em ética e, até que as diretrizes científicas possam ser definidas, a modificação genética continua em aberto.

Alterar o rumo da vida
O desenvolvimento de mecanismos que permitam prolongar a vida humana está no topo das prioridades. O Prémio de Longevidade de Palo Alto, na Califórnia, está a atribuir um milhões de dólares aos cientistas que «alterem o código da vida», ampliando a longevidade humana até aos 120 anos. Mais de 20 equipas mundiais estão envolvidas na competição que termina em 2017. Doris Taylor, uma das participantes, acredita que «se nos colocarem numa sala por tempo suficiente, vamos solucionar o envelhecimento». A Novartis sustenta ter alterado o código da vida e está a efetuar testes clínicos com a «primeira substância anti-envelhecimento», Rapamycin, um derivado de uma bactéria extraída do solo da Ilha de Páscoa.

A Novartis revela que a substância é capaz de reduzir a perda de massa óssea relacionada com a idade, reverter o envelhecimento cardíaco, diminuir a inflamação crónica e inverter a doença de Alzheimer em ratos de laboratório. A Google aderiu, também, à investigação anti-envelhecimento, apoiando a Calico, uma empresa de São Francisco que se dedica à «extensão da vida». A Calico anunciou recentemente que planeia construir um centro de investigação para o desenvolvimento de uma substância que contrarie o envelhecimento, no âmbito de uma parceria de 1,5 mil milhões de dólares com a AbbVie, uma biofarmacêutica.

Órgãos indestrutíveis
Com o envelhecimento, os órgãos começam a falhar. Muitos cientistas acreditam que a impressão de órgãos em 3D é o segredo da longevidade, uma vez que são virtualmente indestrutíveis. A deteção precoce do cancro pode ser vital para a sequenciação de tecido saudável – um fator chave para a regeneração de tecidos 3D impressos. Num processo desenvolvido por Dennis Lo, biópsias líquidas sequenciam o ADN no sangue de um indivíduo, permitindo a deteção precoce da doença em pacientes antes do surgimento dos primeiros sintomas físicos.

Este avanço tecnológico tem sido descrito como o moderno «estetoscópio para os próximos 200 anos». Avanços na impressão 3D ocorrem a rápida velocidade. A empresa Organovo desenvolveu tecido de fígado impresso em 3D, já disponível no mercado, e pretende lançar tecido renal em 2016. O avanço mais amplamente discutido neste campo é a impressão de células cardíacas, denominadas organoides. Desenvolvidas pelo Centro Médico e Instituto de Medicina Regenerativa Batista de Wake Forest, as células são totalmente funcionais e capazes de sustentar um coração. Os investigadores acreditam que os organoides culminarão na criação de um coração impresso em 3D totalmente automatizado, que estará disponível para transplante num futuro próximo.

Próteses poderosas
As próteses estão rapidamente a tornar-se mais funcionais do que os membros humanos. A prótese da mão i-Limbs inclui 14 gestos aumentados, controlados através de um aplicativo para smartphone, que providencia ao utilizador um conjunto completo de movimentos, apesar da dificuldade de determinadas tarefas, como agarrar objetos de pequena dimensão.

Conhecido como o Rolls-Royce das próteses, a mão BeBionic tem motores individuais em cada dedo, que estão posicionados de modo a otimizar a distribuição do peso. Simultaneamente, microprocessadores permitem movimentos manuais precisos e controlo, de forma que os utilizadores possam partir um ovo ou abrir uma lata. A próxima fronteira na inovação das próteses é a inclusão do sentido do tato. Pesquisas atuais incluem a criação de uma pele inteligente, um tecido de silicone elástico que lê os circuitos neurais e cria sensações dérmicas, assim como no campo das neuro-próteses, o desenvolvimento de próteses operadas pela mente. Os cientistas estão a testar implantes na região do tálamo cerebral (a área responsável pela transmissão de sinais sensoriais), procurando perceber se a estimulação neural pode treinar o cérebro para sentir o toque por meio de próteses.