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Novos têxteis

O sector dos não-tecidos continua a crescer, observando-se o maior crescimento em novos mercados e aplicações. Usualmente, os EUA constituem o mais importante produtor de não-tecidos, e este domínio deverá manter-se. No entanto, as economias emergentes, como a China, deverão crescer a um ritmo elevado.

O crescimento mais significativo nos não-tecidos advirá da expansão nos mercados industrial e de vestuário, pelo menos na América do Norte, Europa e Japão. Este facto não deverá ser encarado como uma ameaça aos sectores mais tradicionais, mas sim como uma oportunidade para melhorarem a sua produção graças ao desenvolvimento de produtos multifuncionais e de performance mais elevada que poderá fortalecer ambos os sectores.

Tradição

Embora as indústrias têxtil e dos não-tecidos partilhem alguma herança comum, os não-tecidos cresceram de forma a apresentar hoje uma extensa gama de fibras e produtos de base polimérica que são regidos pela alta velocidade, baixos custo de fabricação e processos inovadores e com mais-valias. Este crescimento conduziu à adaptação de tecnologias oriundas das indústrias da madeira e do papel, entre outras, de forma a obter-se os produtos pretendidos a custos razoáveis. Por consequência, registou-se uma separação dos têxteis tradicionais, focalizada primeiramente no vestuário.

Os segmentos actuais da industria de não-tecidos incluem fornecedores de matérias-primas, produtores de bens intermediários, conversores e fabricantes, construtores de maquinaria das três categorias precedentes, fornecedores de material auxiliar e fabricantes de equipamentos de enrolamento e embalagem, entre outros. Mesmo esta segmentação não oferece uma imagem tão clara como se poderia desejar – há vários graus de integração vertical e horizontal na indústria. Globalmente, os mercados locais e os factores económicas dificultam ainda mais a situação.

Hidroentrelaçamento

O hidroentrelaçamento é hoje uma tecnologia suficientemente madura. Os sistemas são comercializados há mais de 30 anos. O hidroentrelaçamento foi inicialmente desenvolvido para fabricar toalhetes e substituir a gaze tecida. Actualmente, a maior parte dos toalhetes são obtidos mediante este processo e, na última década, a gaze não-tecida atingiu volumes de produção e vendas que desafiam os da gaze tecida.

Hoje, estima-se que exista em actividade mais de 130 linhas de hidroentrelaçamento. As tecnologias de hidroentrelaçamento, em conjunto com a calandragem e as tecnologias de ligação não-convencionais, são as mais utilizadas para produzir não-tecidos para aplicações médicas, de higiene e vestuário de protecção.

A alemã Fleissner e a francesa Rieter Perfojet emergem como as duas principais fabricantes de tecnologia de hidroentrelaçamento.

Utilização do hidronetrelaçamento para ultimar têxteis tradicionais

Outra aplicação principal do hidroentrelaçamento reside no acabamento de tecidos. O conceito da engenharia de tecidos, desde sempre associado com a indústria de não-tecidos, tem cruzado os caminhos de sectores mais tradicionais da indústria têxtil. O resultado é têxteis mais avançados e com melhor desempenho que se distanciam da caixa dos têxteis tradicionais em termos de processamento.

A patente americana 5.136.761, registada a 11 de Agosto de 1992, demonstra claramente que o hidroentrelaçamento, quanto utilizado como etapa de acabamento, melhora as propriedades de superfície e a estabilidade dimensional dos tecidos.

Com efeito, observou-se que para as malhas jersey 100% algodão, os processos de hidroentrelaçamento reduzem a perda de massa produzida por abrasão em cerca de 50%, ou mais, e o tecido não desenvolverá qualquer buraco, no mínimo, durante 60.000 ciclos de lavagem.

A Fleissner oferece um sistema de tratamento a jacto de água conhecido como AquaTex. Esta linha é capaz de produzir altas pressões para melhorar o tecido. Por seu lado, a Rieter Perfojet oferece o JETlace 3000, onde o acabamento têxtil constitui uma das aplicações pretendidas para a unidade. Prevê-se um crescimento significativo no uso do hidroentrelaçamento como etapa de pós-processamento, com novas aplicações a ser descobertas continuamente. Por exemplo, a Fleissner anunciou recentemente a aplicação do sistema AquaJet na ligação da tela da carpete, sem a necessidade de utilização de latex.

Quanto durável é durável?

Os não-tecidos são geralmente assumidos como não-duráveis e descartáveis. Isto é verdadeiro mas apenas nas aplicações para as quais se pretendem produtos descartáveis. Os não-tecidos podem ser tão duráveis como pretendido, se forem devidamente desenvolvidos. A linha de produtos Miratec da Polymer Group e Evolon da Freudenberg Nonwovens Group são provas reais de que os não-tecidos podem ser duráveis.

Em geral, os não-tecidos hidroentrelaçados fabricados a partir de fibra cortada não são tão duráveis como os não-tecidos fabricados a partir de filamento, sendo mais adequados para produtos de uma só utilização. Deste modo, a maior parte dos toalhetes actuais utilizam os procesos de cardação e hidroentrelaçamento para obter os produtos desejados. Estes produtos podem ter fibras absorventes, polpa ou outros materiais adicionados à manta através de sistemasairlaid.

Os não-tecidos fabricados com filamentos podem originar produtos de maior durabilidade sem a adição de ligantes. No entanto, os não-tecidos feitos a partir de mantas de fibra cortada podem também ser extremamente duráveis graças à adição do ligante apropriado.

A escolha entre fibra cortada e filamento prende-se essencialmente com os custos associados. Os custos para um sistemaspunbound/hidro são significativamente superiores aos que envolvem cardação e hidroentrelaçamento.

Tingimento, estamparia e acabamentos

Os não-tecidos duráveis podem ser tingidos, estampados e ultimados da mesma forma que outros têxteis e através do mesmo tipo de equipamento utilizado nos processos têxteis tradicionais. Na maior parte dos casos, todavia, a estrutura não-tecida deve ser composta por dois ou três materiais distintos, o que acrescenta uma certa complexidade ao produto.

Os não-tecidos são ultimados, laminados e revestidos para acrescentar valor, criando novos produtos para múltiplas e variadas aplicações desde tratamentos de janelas até à construção de mobiliário. Exemplos de produtos-finais incluem tecidos médicos, toalhetes, produtos para incontinência ou protecções de janelas com propriedades anti-estática, impermeabilidade, anti-microbiana, respirabilidade e anti-chama. O Precision Fabric Grroup é um dos exemplos em inovação no campo da ultimação de não-tecidos. O acabamento pode acrescentar valor significativo.

O futuro

Existe um considerávelknow-how nos sectores têxteis tradicionais que pode ajudar os produtores de não-tecidos a adaptar os seus produtos para áreas de procura como o vestuário e têxteis industriais. Em particular, o uso de técnicas de acabamento avançadas pode melhorar as propriedades dos não-tecidos para níveis aceitáveis. Além de que tecnologias de não-tecidos, como o hidroentrelaçamento, oferecem aos produtores de têxteis tradicionais novas possibilidades de acrescentar valor aos seus produtos-finais. Deste modo, existem oportunidades significativas para fortalecer ambas as indústrias de não tecidos e de têxteis tradicionais criando novos híbridos – produtos de alta performance que vão definir o futuro.