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Nuno Braz Oliveira renova a alfaiataria

O designer formado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa colocou a alfaiataria na passerelle no Concurso Europeu de Jovens Designers do CENIT, onde representou Portugal, mas deu-lhe um twist diferente, conjugando o universo mais tradicional do vestuário feito à medida com a contemporaneidade do mundo atual.

Nuno Braz Oliveira

Entwine, como batizou a coleção que apresentou no concurso organizado pelo CENIT, combina os conceitos do universo “queer” [o termo que agrupa todos os que não se identificam com a identidade heterossexual e cisgénero] com o militar. «Esta coleção é, de certa forma, uma exploração, no sentido em que foi um processo educativo para mim próprio, um desenvolvimento de uma procura que já tenho, especificamente em alfaiataria, de produção de roupa de homem bem feita. Foi também uma forma de explorar dois mundos um bocadinho diferentes: o colorido queer e, ao mesmo tempo, uma indumentária militar muito mais rígida. Gosto de contrastes», afirma ao Jornal Têxtil.

O designer desenvolveu especificamente para esta coleção passamanarias. «Foi um ponto de partida importante na coleção. Comecei mesmo por contactar a Fundação Ricardo Espírito Santo, que está sediada em Lisboa. Eles fazem muito trabalho de preservação de uma série de práticas artesanais e uma delas é a produção de passamanarias. A partir daí desenvolvi uma maneira de fazer os galões, porque não queria simplesmente que fossem comprados, queria algo mais especial. Tentei fazer desenhos que, de certa forma, faziam sentido para mim, simplesmente nas minhas explorações», explica Nuno Braz Oliveira.

Em busca de experiência

Esta área da alfaiataria é, de resto, um segmento que atrai o jovem designer, sendo algo que gostaria de trabalhar no futuro próximo. «Concluindo o mestrado, uma das coisas que queria muito era estagiar e trabalhar mais em alfaiataria», quer num ambiente mais industrial, como a Diniz & Cruz, que detém a marca Do Homem, quer num ambiente mais artesanal, como no atelier do alfaiate Ayres Gonçalo.

Atualmente, no entanto, Nuno Braz Oliveira, que tem já experiência internacional, tendo estudado e trabalhado em Londres, está mais envolvido no mundo do figurinismo, desenvolvendo guarda-roupas para teatro. «Mas idealmente gostava muito de entrar na roupa de homem de uma maneira muito séria. Acho que existe uma procura maior do que a oferta de roupa de homem de grande qualidade com uma faceta de design um bocadinho menos convencional», aponta o jovem designer. «Em comparação com o que eu faço em figurinos de teatro ou outras formas de arte têxtil, a moda é muito mais humana e real. Fundamentalmente estamos a fazer roupa para seres humanos que se vão apropriar dessas peças e essa transação cultural, de certa forma, é muito importante para mim, é uma coisa que gosto muito na moda», conclui.