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O admirável mundo novo

Na área da gestão e da economia há textos que marcam épocas e tendências. No dia 1 de Novembro foi publicado, na revista The Economist (http://www.economist.com), um artigo que, não só caracteriza os tempos em que vivemos, como também aponta, de uma forma clara e lógica, os caminhos do futuro. Peter Drucker, com 92 anos de idade, escreve sobre a próxima sociedade e as acções a desenvolver para conseguir enfrentá-la com sucesso. Segundo Drucker, a próxima sociedade será a sociedade do conhecimento. O conhecimento constituirá o principal recurso e os trabalhadores do conhecimento serão a força dominante dessa sociedade. As mutações da sociedade e a inserção das novas tecnologias no dia-a-dia provocarão uma redefinição completa do conceito de empresa. O impacto mais imediato sobre a competitividade das empresas passa pela necessidade destas se tornarem competitivas do ponto de vista global e não apenas nos mercados onde se inserem. A facilidade e velocidade a que a informação circula permitem que os clientes, em todo o mundo, estejam informados sobre o que está disponível globalmente e a que preço. Ora, as organizações, apesar de continuarem a manter o seu cariz local, do ponto de vista das actividades e dos mercados, serão obrigadas a concorrer num contexto mundial, levando a que estas se adaptem de forma a estarem permanentemente informadas sobre os mercados, os produtos, as tecnologias e as tendências. Este facto levanta uma questão essencial para a sobrevivência das empresas, nomeadamente, a capacidade de gerir informação externa. Hoje em dia, na maioria das organizações, os sistemas de informação apenas estão preparados para lidar com informação gerada internamente pela empresa. A informação externa não é processada ou, quando o é, é incorporada de forma pontual e esporádica no processo de gestão da organização. Contudo, é a informação externa, sobre produtos concorrentes, mercados, processos e tecnologias que é, crescentemente, a informação relevante e essencial para a sobrevivência da empresa. É, também, esta a informação que mais tem crescido em volume. Ora, face a sistemas e organizações que não estão preparados para lidar com volumes crescentes de informação não sistematizada e gerada em fontes exteriores à empresa, a conclusão a que se poderá chegar é que, apesar de existir cada vez mais informação, os gestores das empresas estão cada vez menos informados. É por isso que se levanta a necessidade de utilizar os meios actualmente ao dispor das empresas para recolher e processar a informação externa, nomeadamente através da utilização da Internet como sistema e mecanismo de vigilância estratégica. Um dos pontos que Drucker, no seu artigo, considera essencial para assegurar a sobrevivência da empresa neste novo mundo, é que os gestores comecem a inquirir qual a informação externa que necessitam, como primeiro passo para a concepção de sistemas de informação próprios para a recolha de informação relevante sobre o meio envolvente.