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O bis da JF Almeida

Dos 9 metros quadrados da estreia, em setembro de 2017, aos 18 metros quadrados de fevereiro de 2018 para, quem sabe, os 36 – as ambições do administrador João Almeida não se esgotam na área de exposição que a JF Almeida ocupa na Première Vision Yarns, mas começam por aí.

A marca Papilio abriu as portas da internacionalização ao negócio da fiação da JF Almeida, que em setembro último se estreou na Première Vision Yarns. Regressada à lista de expositores do salão parisiense, a empresa conhecida, sobretudo, pelos têxteis-lar mostrou que a consistência é a chave do sucesso. «As nossas expectativas passam por fortalecer os contactos que fizemos em setembro e tentar entrar em novos mercados. O maior objetivo nas primeiras três participações é apresentar o produto, que os visitantes conheçam a marca Papilio», revela João Almeida, administrador da JF Almeida, ao Jornal Têxtil.

Criada em 2014, depois da aquisição do know-how à Arco Têxteis, a Papilio dá nome a um fio multicolorido, com tecnologia de tingimento space dyeing, que pode ir até seis cores. «A marca Papilio é de valor acrescentado. Estamos a falar de um produto 100% mais caro do que um fio normal. Por isso, não nos interessa entrar em guerras de preços», reconhece João Almeida.

Precisamente por essa razão, a JF Almeida tem estado particularmente atenta à evolução dos países escandinavos, partindo no mês de abril para Riga, Letónia – em mais uma estreia –, rumo à feira Baltic Fashion & Textile. «Na parte dos fios tintos e estampados estamos muito bem na Escandinávia. Está a evoluir e é um mercado de marca própria», avalia o administrador. Procurando conquistar os franceses, a JF Almeida viajou para Paris com uma coleção diferente da exibida em setembro. «Apresentámos os chamados fios delavé. São fios que parecem mesclas, mas são estampados. Olhando para o artigo, parece desgastado, mas está ali um estampado com duas ou três cores», explica João Almeida.

A fiação da JF Almeida começou por trabalhar em exclusivo para suprir as necessidades internas do grupo, mas o excedente de produção levou a que a unidade começasse a oferecer novos serviços de tinturaria e, logo depois, a vender diretamente fio tingido. Atualmente, a área da fiação e tinturaria representa, de acordo com o administrador, quase 35% da faturação da JF Almeida. «Agora estamos com outra vertente, que é parte de trading. Fazemos importação de várias fiações de todo o mundo e vendemos fio cru. O fio tingido, o estampado, a trading e a fiação já somam quase 8 milhões de euros», elucida João Almeida, adiantando que o objetivo para 2018 é alcançar os 10 milhões de euros. A meta foi definida depois de, em 2017, o negócio dos fios ter crescido 11% no volume de faturação. «Porém, aumentámos a nossa capacidade em quase 25%. Pelo que o investimento no aumento da capacidade não foi colmatado com a faturação», ressalva.

Com uma capacidade produtiva de 400 toneladas/mês na fiação e 250 toneladas mensais na tinturaria, no ano passado, o investimento rondou os 5 milhões de euros, estando já previstos novos reforços em 2018, que poderão alcançar os 2 milhões de euros. «Vamos voltar a investir na parte da tinturaria, na parte da automação, vamos comprar mais uma máquina de laboratório. Na parte da fiação está ainda prevista – mas não para 2018 – a montagem de uma fiação de anel», anuncia João Almeida.