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O boom da ITV colombiana

A indústria têxtil e vestuário da Colômbia espera crescer 13% este ano, para mais de 11 mil milhões de dólares (aproximadamente 9,9 mil milhões de euros) – praticamente o dobro da taxa de crescimento do ano passado.

Ao que tudo indica, a boa performance do sector será impulsionada pela forte procura local e por ganhos nas exportações. «O contrabando técnico caiu 50%, por isso precisamos de preencher essa lacuna na procura local», explica Enrique Giraldo, presidente da Camara Colombiana de la Confeccion y Afines (CCCyA), em declarações ao Just-style à margem da feira de moda e sourcing Colombiamoda.

Os comentários de Giraldo surgem depois de Bogotá ter renovado até novembro um pacote introduzido em 2012 que visa ajudar a conter as perdas dos produtores locais face à inundação de importações de vestuário da Ásia. A medida cobra uma taxa ad valorem de 10%, bem como uma taxa específica de 5 dólares (aproximadamente 4,5 euros) por quilo bruto sobre as importações de vestuário, calçado e têxteis, e há novas medidas a partir de novembro para evitar que as roupas asiáticas baratas cheguem ao mercado colombiano.

Para responder à crescente procura local, o governo colombiano planeia formar 100 mil novos trabalhadores têxteis este ano, anunciou o presidente Juan Manuel Santos durante a abertura da feira, que atraiu 399 milhões de dólares em futuros contratos de sourcing, um aumento de 17% comparativamente ao ano passado. Mais de 12.000 compradores participaram no evento, dos quais 13% vieram do exterior, principalmente do México, Costa Rica, EUA e Equador.

A Adidas, Amazon Mexico e os grandes armazéns mexicanos Liverpool foram à procura de sportswear, underwear e lingerie, segmentos nos quais a Colômbia é especializada.

Juan Manuel Santos revelou ainda também que as forças governamentais têm apertado o cerco aos contrabandistas que trazem roupas ilegais para o país, principalmente via Panamá, sendo que, nos últimos 12 meses, foram apreendidos bens avaliados em cerca de 60 milhões de dólares.

Já Enrique Giraldo destacou que a produção deverá aumentar 13% este ano, acrescentando que as melhorias têm gerado milhares de novos postos de trabalho na indústria, que agora contabiliza 450 mil trabalhadores formais, embora ainda empregue 1,3 milhões informalmente.

As exportações devem subir 1% a 3% este ano, para pouco mais de 800 milhões dólares, contrariando opiniões mais otimistas de que poderiam saltar 10%, numa altura em que o peso mergulha e reforça o interesse estrangeiro no vestuário “made in Colombia”. O governo do país adiantou que a expectativa é elevar as exportações para mil milhões de dólares até 2018.

Giraldo afirmou ainda que os produtores estão focados em responder à procura local, especialmente no mercado de vestuário de massas. A procura de vestuário deve crescer de 1% em 20153 para 5% em 2016, previu o presidente da CCCyA.

Apesar da melhoria nas relações políticas, as vendas de vestuário da Colômbia para os EUA, avaliadas em cerca de 300 milhões de dólares, não deverão aumentar devido às regras de origem dos fios, estipuladas no acordo de livre comércio (CTPA na sigla original) entre os dois países.

Os mercados de exportação com mais rápido crescimento serão o Chile e a Costa Rica, com quem a Colômbia assinou recentemente acordos de livre comércio. Ainda assim, a indústria colombiana continua a investir para simplificar a produção e na modernização dos seus parques de máquinas para fabricar roupas mais elegantes, em grande parte graças aos 250 milhões de dólares que têm chegado do banco de desenvolvimento Bancoldex desde 2014.

Já no início deste ano, os executivos da indústria colombina alertaram para o facto de o país precisar de um acordo de livre comércio com o Brasil, a fim de alavancar os esforços das empresas têxteis e de vestuário para se expandirem no exterior.