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O calcanhar de Aquiles dos wearables

As tecnologias usáveis representam um dos mais interessantes desenvolvimentos da indústria e têm vindo a inspirar, de forma flagrante, a atuação do design de moda.

Mas o ceticismo ainda persiste na hora de usar, de facto, este género de produtos, sobretudo pela sua ainda pouco aprimorada estética.

Remetidos, especialmente, para a atividade desportiva, os wearables têm falhado na conquista da comunidade moda – e das mulheres, de uma forma geral – ao se apresentarem de forma pouco subtil (caso dos Google Glass) ou com aparência pouco feminina (exemplo do Apple Watch).

Ainda que este segmento tenha vindo a prosperar e a alimentar o nascimento de novos produtos (ver Os wearables do futuro), a verdade é que os Google Glass saíram do mercado e serão repensados e concebidos do zero e a Apple não revela quantos relógios já vendeu até ao momento.

A par disto, estão as críticas dos especialistas, que são assertivos ao dizer que, por exemplo, o Apple Watch não é indicado para principiantes, o que demonstra que este género de gadgets ainda tarda a ser relevante para o consumidor – ainda menos para aquele que se preocupa com o seu estilo.

Eis os principais motivos, apontados por Mona Bijoor, CEO da Joor, empresa que conecta mais de 155 mil marcas e retalhistas online, à Fast Company.

Não são práticos

A crescente preocupação com um estilo de vida saudável – que inclui a prática desportiva – impulsionada por marcas como a Soul Cycle, Lululemon e Fitbit, tem conduzido os wearables à popularidade.

Se outrora não era aceitável usar roupa desportiva fora do perímetro do ginásio, hoje a tendência athleisure domina muitos guarda-roupas “pós-ginásio” (ver 12 meses de athleisure) e, com ela, surge o incremento das pulseiras de fitness.

No entanto, para serem relevantes na vida dos consumidores, os wearables precisam de se estender além da atividade desportiva.

Torna-se óbvio que o Apple Watch, por exemplo, terá de oferecer uma seleção mais ampla de aplicações, para que diferentes tipos de pessoas o possam incorporar no seu quotidiano.

 Não são esteticamente agradáveis

A parceria firmada entre a Hermès e a Apple para dar corpo a um relógio inteligente, mas ainda assim de destacado luxo é, neste território, digna de nota. Em última análise, porém, será necessário muito mais do que uma marca de luxo para convencer os utilizadores de que os wearables estão na moda – até porque muito poucos podem pagar um relógio de 1.000 euros.

A Apple acredita que esta ligação com a Hermès irá inspirar outras marcas de moda a criarem designs elegantes para chegar um mercado mais amplo – mas que é algo que poderá demorar.

Estes produtos terão ainda de lidar com a lacuna designada de “women problem”, uma vez que ainda que a maioria dos wearables se apresente como unissexo, a estética dos mostradores e braceletes dos relógios inteligentes, por exemplo, está tradicionalmente associada à dos relógios de homem.

Não são discretos

Os wearables ainda não são suficientemente atrativos e, mais do que isso, não são discretos – em parte, reside nesta última lacuna o insucesso dos Google Glass.

Muitas das inovações da moda são aquelas que não se conseguem ver (ou que se veem de forma muito subtil), como os bolsos – é disso que os wearables precisam e é com isso que as empresas tecnológicas terão de se preocupar se almejam a que o apelo dos seus produtos seja global.