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O calendário azul de 2017

Nomes como Gap, LVMH, Levi Strauss, Citizens of Humanity e VF Corporation estão a liderar uma espécie de renascimento do denim. Considerando que o tecido intemporal esteve em alta rotação ao longo do corrente ano, impõe-se que outras marcas e retalhistas estejam atentas às tendências-chave para 2017.

O mercado de denim mundial foi avaliado em 58 mil milhões de dólares (aproximadamente 54,4 mil milhões de euros) em 2014, de acordo com os analistas da empresa de pesquisa Technavio, sendo os norte-americanos os seus consumidores mais vorazes.

O denim premium é responsável por 26% do mercado, com empresas como Gap, LVMH, Levi Strauss, Citizens of Humanity, VF Corporation, Differential Brands e Naked & Famous Denim à procura de aumentarem a sua quota. Este mercado está, também, em alta, com previsões de que o denim premium assista a uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) superior a 8% entre 2016 e 2020.

Nos EUA, o NPD Group estima que mais de 518 milhões de pares de jeans tenham sido comercializados em 2015, com vendas na ordem dos 13,1 mil milhões de dólares. A par disso, há novas empresas a aparecerem com esperanças de competirem pelo seu espaço.

Em outubro, a estrela da reality TV Khloé Kardashian lançou uma linha de denim “body positive” (que respeita os diferentes tipos de corpo), com preços entre os 149 e os 215 dólares, colocando a Good American na categoria premium. Já a marca disruptiva Vetements, apresentada em 2014, mudou o panorama do denim, embora a um preço muito mais elevado.

Em território luso, 2016 viu nascer a Aly John, uma marca exclusivamente dedicada ao denim premium e com stock reduzido. O preço médio de cada peça ronda os 300 euros e todas são total ou parcialmente acabadas à mão (ver O sangue azul da Aly John).

Deste modo, há algo comum no universo do jeanswear: todas as empresas querem apostar na tendência certa. Para alcançar este objetivo, o portal Retail Dive pediu a seis especialistas de moda e analistas do sector que antecipassem as tendências de denim nas quais vale a pena apostar já para lucrar em 2017.

A cintura subida

Edina Sultanik, analista de moda, afirma que o denim está em ascensão, com particular ênfase na silhueta. «Os jeans de cintura subida estão a dominar as propostas da Balenciaga e da The Row, bem como de marcas contemporâneas como Courtshop, L’Agence e J Brand», aponta.

O fim dos skinny jeans

Ainda que a linha Good American de Khloé Kardashian esteja a apostar em modelos de fitting justo e elástico, Lois Sakany, editora da Snobette.com, acredita que os skinny jeans têm os dias contados.

«Há muitos sinais de que estamos finalmente a ver a era skinny a chegar ao fim, com as marcas do momento, como Off White e Vetements, a mostrarem denim muitas vezes oversized ou trabalhado», explica. As versões da Off White mostram-se, para Sakany, especialmente atraentes porque são fruto de uma colaboração com a Levi’s.

O denim com personalidade

Heather Picquot, responsável pela secção de cultura da Fashion Snoops, acredita que, depois de várias temporadas na mó de baixo, o denim voltou a dominar as passerelles e as ruas. O denim proposto pela Off Off White e pela Vetements, por exemplo, joga com o patchwork e com bolsos removidos e colocados em locais diferentes ou mesmo com a total desconstrução das peças e está a inspirar outras marcas e retalhistas.

Casas de moda como a Gucci estão também a criar blusões de denim DIY (Do It Yourself – Faça Você Mesmo) com patches e bordados ou decorados com pins.

Recuperar tendências passadas

Angela Velasquez, analista de retalho e editora da Rivet and Vamp, concorda com Heather Picquot e, acrescenta, «estamos a assistir ao regresso de duas tendências passadas no denim feminino – o modelo 501 da Levi’s e a personalização».

Florais em destaque

«Os consumidores têm os seus skinny jeans, os mom jeans e os jeans rasgados. Ao procurar a próxima peça de vestuário para adicionar ao seu guarda-roupa vão procurar estilos ornamentados. Isso significa bordados, patches e patchwork», considera Katie Smith, analista de retalho da Edited.

Neste campo, os bestsellers são os jeans com bordados florais da Topshop, Zara, Boohoo e ASOS.

O tamanho conta

Adheer Bahulkar, sócio da consultora A.T. Kearney, coloca a tónica na questão dos tamanhos. «As vendas anuais caíram a uma taxa de cerca de 5% nos últimos anos, mas ainda compramos mais de 500 milhões de unidades de denim por ano. Pelo que parece que a procura de novas tendências continuará nesta temporada», garante, ressalvando a importância de «tamanhos inclusivos de corpos reais».