Início Notícias Tecnologia

O carro do futuro é feito de ar

Um projeto do MIT e da BMW está a estudar como o uso de insufláveis, recorrendo a impressoras 4D, pode mudar o interior dos veículos.

Mudar o interior de um carro carregando num botão. Parece ficção científica, mas não é, graças ao departamento Self-Assembly Lab do MIT e à BMW. O diretor desta área da instituição de ensino americana, Skylar Tibbits, acredita que o uso de insufláveis pode mudar o cenário no que diz respeito ao design de veículos. «O ar é um elemento muito barato», afirma o responsável. Já há muito nos carros, desde os airbags aos assentos, porque, explica Tibbits, não é preciso «motores nem coisas caras» para o movimentar.  Mas há limites para o quão complexos podem ser os objetos insufláveis, como balões por exemplo, porque o material fino e extramente elástico é de difícil tratamento.

Mas este é um problema que Skylar Tibbits está bem equipado para resolver. No Self-Assembly Lab desenvolveram várias alterações inovadoras e radicais em termos de materiais e de produção, como por exemplo a ideia de impressão 4D, ou seja, objetos 3D que são feitos para se adaptar, fundir ou mesmo serem capazes de auto assemblagem, depois de impressos, para se adaptarem a questões ambientais como a água, temperatura e ar.

O Self-Assembly Lab criou, no passado, sapatilhas que apertam os atacadores sozinhas, mesas que se constroem a si próprias e telefones cujas peças encaixam como se fossem Legos.

Esta iniciativa, em colaboração com dois designers da BMW, está a trabalhar numa nova forma de conceber objetos insufláveis complexos e mais controláveis que um dia possam ser usados no design de carros.

O processo, denominado «Liquid Printed Pneumatics», funciona com um método de fabricação que o laboratório inventou no ano passado, em parceria com a Steelcase e que batizou «Rapid Liquid Painting».

Em resumo, a impressora lança jatos de materiais que estão no estado líquido, como borracha, plástico ou espuma, num recipiente de gel, no qual a forma se mantém até solidificar. Este método permite criar objetos muito maiores do que uma impressora 3D normal.

As impressoras normais trabalham com plásticos mais duros mas, para a colaboração com a BMW, o Self-Assembly Lab conseguiu aperfeiçoar o uso de uma borracha com silicone muito elástica e imprimi-la em formas complexas e insufláveis, que podem alterar-se e movimentar sozinhas.

Imprimindo conjuntos de câmaras de ar programadas para expandir e contrair conseguem criar movimentos.

A BMW tem estado na linha da frente no desenvolvimento deste tipo de tecnologia já há uma década. Uma destas ideias usa superfícies insufláveis e que se movem para indicar obstáculos na estrada. Outro conceito inclui um exterior de carro flexível, que permite mudanças no veículo. Os métodos desenvolvidos pelo MIT podem trazer à realidade estas ideias. Os assentos podem expandir-se e fundir, transformando-se num banco longo. Ou o interior parecer um escritório. Skylar Tibbits diz mesmo que «o interior pode ser diferente de acordo com cada pessoa que entre no veículo».