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O coletivo da Daily Day

A equipa, vinda de áreas como a música, o design, o marketing, a matemática, a biologia, o audiovisual ou a engenharia, é a prova de que o saber enciclopédico dos gregos pode ser atualizado numa marca de vestuário. A Daily Day vive no Porto, mas está a conquistar os EUA.

Quem entra no n.º 263 da Praça General Humberto Delgado, no Porto, ficando com a Avenida dos Aliados atrás das costas, quase se consegue esquecer de que está numa loja. Pode calhar fazer parte de um concerto, dar de caras com uma exposição ou entrar numa conversa com um biólogo. A casa da marca fundada por Filipe Prata, engenheiro civil de formação, desde cedo serve de palco, galeria, pista de dança e recanto de poesia. A família que lá mora tem vindo a crescer

A marca Daily Day – veste mulher, homem e, brevemente, criança – foi apresentada no final de 2015 e a ideia, que se antevia um projeto digital, logo se materializou numa loja que haveria de vender outras marcas “made in Portugal”.

«Para nós isto é mais um quartel-general da marca do que propriamente um ponto de venda. É claro que é um ponto de venda, mas teria de ter muito mais atributos do que isso», começa a contar Filipe Prata ao Portugal Têxtil, sublinhando, desde logo, que aquele projeto nasceu dele, mas que é o coletivo – cinco pessoas a tempo inteiro em loja, cinco a 100% na produção e cerca de 80 no total – quem o faz crescer.

A ideia é que seja privilegiada a moda nacional, mas o escopo tem vindo a alargar-se, sem se afastar de um princípio norteador: o design e produção, independentemente de se tratar de vestuário, calçado ou acessórios, terão de ser europeus. Carla Pontes e Hugo Costa são algumas das marcas de autor que preenchem a loja e há colaborações em andamento.

«Nós queremos uma marca que privilegie as relações, com os locais, com a cidade, com as pessoas, mas também até com outras marcas – já estamos a desenvolver produtos em parceria com algumas que estão aqui connosco e é uma coisa que ainda vamos vincar mais», antecipa o fundador.

Para completar a experiência de compra – e responder aos pedidos de clientes que, querendo repetir a compra à distância, enviam mensagens para a página do Facebook da marca –, a loja online da Daily Day chega nos próximos meses.

Por lá, as atenções serão divididas entre as coleções e esses eventos que o n.º 263 organiza ao abrigo do projeto Daily Day Calling. Já lá vão 17 iniciativas. «É um projeto que, para 2017, vai ter novidades: a parte da música vai sair da loja e vai passar a ocupar uma sala de espetáculos no Porto», adianta Filipe Prata.

Localizada no coração da cidade do Porto, seria de esperar que a maioria dos clientes da Daily Day estivesse de visita à Invicta, mas são os nacionais quem mais compra. «Naturalmente que fazemos muitas vendas a estrangeiros mas, agradavelmente, mais de metade são a portugueses», analisa.

A coleção de outono-inverno começa a chegar à loja, sendo que a estratégia da marca passa pelo stock reduzido e pelo lançamento intermitente de artigos.

«A inspiração é a vida urbana do quotidiano. Apoiamo-nos numa série de coisas, no desenho geométrico, na intemporalidade», explica Filipe Prata, até porque, a pedra basilar da estética da marca é oferecer «peças de qualidade para o dia a dia».

Fora das portas da loja e do país, a Daily Day está apostada em três grandes mercados: EUA, Japão e Europa como um todo. «Estamos particularmente atentos ao Reino Unido, à França, à Escandinávia, à Alemanha e ao Benelux», refere. Mas o mercado que mais tempo tem ocupado à equipa Daily Day é o norte-americano. A marca está presente em lojas multimarca espalhadas pelas duas costas e conta com o acompanhamento de um agente. «Estamos a trabalhar com lojas multimarca, já estamos presentes em algumas e estamos com expectativas de, até ao final do ano, duplicar essas lojas, o que dará talvez duas dezenas», conta Filipe Prata.

A presença em feiras internacionais – em fevereiro a marca estará nos EUA, a Escandinávia tem também uma visita agendada para o início de 2017 –, tem vindo a apresentar a Daily Day aos mercados considerados interessantes. No Japão, a aposta está a ser orientada para importadores.

No horizonte está ainda a segunda loja Daily Day em Portugal e, depois disso, a próxima morada da insígnia poderá ser internacional.

«Se mudarmos de cidade, temos de criar uma nova relação de cidade, não vamos levar a relação do Porto para outra», explica a cabeça do projeto Daily Day sobre a morosidade do processo.

Até lá, a distribuição nacional da Daily Day via lojas multimarca vai descolando. «Estamos a ser muito criteriosos a escolher os pontos, estará à venda na Casa Mãe no Algarve, um projeto que vai muito para lá da moda e estamos em conversações com mais seis pontos» de forma a aproximar a Daily Day dos clientes que, de mês para mês, «têm vindo a crescer».