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O compromisso nacional da Nike

O gigante americano do desporto reiterou o compromisso tomado relativamente à ampliação das suas operações avançadas de fabricação nacionais, na sequência da recente aprovação de algumas medidas essenciais, no âmbito da legislação comercial dos EUA.

A Autoridade para Promoção Comercial (TPA), que permite ao presidente Obama a rápida validação de acordos de livre-comércio, é vista como um elemento essencial à finalização da Parceria Trans-Pacífica (TPP). Foi aprovada no decorrer da semana anterior pelos legisladores do Senado, numa votação de 60-38, e rumará agora à Casa Branca para ser legislada.

Em comunicado, Mark Parker, CEO da Nike, descreveu a aprovação da TPA como «um passo importante» para a aprovação final da TPP, que ajudará a Nike a acelerar o processo em execução de fabricação avançada. Parker acredita que «isso irá ajudar-nos a expandir os nossos negócios no cômputo geral, dando-nos certamente uma oportunidade para construir uma fabricação local aqui nos EUA e pode colocar-nos mais perto dos eventos do mercado, algumas das inovações particularmente na área de personalização». A parceria TPP deverá ser concluída no início do próximo ano. Se aprovada, poderá eliminar os direitos sobre importações de vestuário e calçado provenientes do Vietname e Malásia para os EUA.

A poupança decorrente da supressão dessas taxas permitiria, afirma a Nike, libertar capital para investir num novo modelo de fabricação avançada e numa cadeia de aprovisionamento doméstica, que suportasse a fabricação nacional. A produção em território americano permitiria diminuir o lead-time do artigo, criar calçado de desempenho inovador, fornecer soluções personalizadas para os consumidores e traçar metas de sustentabilidade. O CEO da Nike comprometeu-se a expandir as operações de fabricação avançadas nos EUA quando se encontrou com Obama na sede mundial da Nike em Beaverton, no estado do Oregon, em maio último. A empresa tem investido nessa possibilidade nos últimos quatro anos. «A oportunidade de traduzir algum alívio fiscal, investindo nos nossos esforços de cadeia de aprovisionamento de fabricação avançada aqui nos EUA será significativo. Esse é o nosso objetivo», disse Parker aos analistas. «A ideia é que iremos acelerar e veremos alguns benefícios reais em resultado disso». «Iremos ver a cadeia de aprovisionamento mudar um pouco geograficamente, aqui e ali, com os avanços da inovação da produção. Esta é uma grande prioridade para a Nike. Dar-nos-á a flexibilidade para criar uma fabricação mais localizada ao longo do tempo, o que nos colocará mais perto do mercado e, novamente, permitirá avançar os produtos, particularmente na área da personalização, respondendo mais à procura local simultaneamente», acrescentou Mark Parker.

Um ano de inovação
A Nike assistiu a uma escalada do preço das suas ações na semana passada, na sequência do aumento da previsão de vendas anuais, da revelação dos ganhos obtidos no quarto trimestre, que superaram as estimativas inicialmente apontadas, assinalando, simultaneamente, um aumento das «encomendas futuras».. Parker descreveu 2015 como um ano «excelente» para a Nike, acrescentando que a empresa conseguiu operar num «ambiente cambial volátil» e aprofundar o seu foco em mercados-chave. «Vamos continuar a aplicar o mesmo nível de disciplina e foco enquanto nos preparamos para o ano fiscal de 2016.

Podem esperar uma alavancagem do nosso portfólio, um maior crescimento mundial, expansão do mercado e aumento da quota de mercado», explicou. O CEO revelou que conseguiram alcançar estes objetivos através da inovação e aceleração de novas oportunidades. «Na Nike estamos sempre a avançar. Somos implacáveis na nossa demanda por sermos melhores e vemos oportunidades que mais ninguém vê», sustentou Parker. «O ano fiscal de 2016 não será diferente. Vivemos um momento de crescimento e vamos continuar a aproveitá-lo, fomentando as nossas maiores categorias, como a corrida, basquetebol e futebol. Isto irá verificar-se em geografias como a América do Norte, Europa Ocidental e China, e vamos estimular os segmentos com maior potencial de crescimento, tais como mulheres, jovens atletas e vestuário, acelerando novas oportunidades, tais como tecnologias inovadoras e produtos em fabricação avançada e digital». «Temos uma das marcas mais fortes do mundo, com um mundo de oportunidades ainda pela frente. E, é por isso que, o ano fiscal de 2016 será o melhor ano de sempre», acredita o CEO.

Desempenho estelar
Para o novo ano fiscal, a Nike espera um aumento das vendas, excluindo flutuações cambiais, de entre 10% a 15%, uma previsão revista face a uma estimativa inferior inicialmente adiantada. Esta previsão surge na sequência de um ano fiscal, no qual a Nike revelou um crescimento de 10% da receita, para 30, 6 mil milhões de dólares e um aumento dos lucros de 22%, para 3,3 mil milhões de dólares. A margem bruta expandiu 120 pontos base para 46%.

Na América do Norte, as vendas subiram 12%, fixando-se em 13, 74 mil milhões de dólares, apesar das dificuldades de inventário, em consequência do congestionamento dos portos da costa oeste. Não obstante, o CFO da empresa, Don Blair, mostra-se otimista, adiantando que esse incidente não terá impacto material sobre o novo ano fiscal. «Sentimo-nos muito confiantes de que vamos lidar com esse inventário de uma forma que será assertiva para a marca e não será problemático do ponto de vista da rentabilidade. Sem fornecer qualquer previsão específica de percentagem em alguma das geografias, a América do Norte tem feito um trabalho fenomenal ao longo dos últimos anos de aumento da rentabilidade. Eles possuem uma rede muito desenvolvida de outlets, gerindo esse mercado muito bem. Por isso, estamos confiantes de que vamos lidar com esse inventário de uma forma construtiva», referiu Blair.