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O consumidor chinês em 5 passos

Será o consumidor chinês assim tão difícil de decifrar? Os especialistas afirmam que sim. Embora a China seja o lar da maior população homogénea do mundo (mais de 90% dos chineses pertencem ao grupo étnico han), o maior erro que pode ser cometido é considerar o país como uma massa uniforme.

Em muitos aspetos, a China aproxima-se da realidade dos EUA. É um país diverso, altamente fragmentado pela classe, educação, valores e diferenças regionais, e com uma diferença de distribuição da riqueza ainda mais acentuada – os salários variam de 300 a 3.000 libras por mês (aproximadamente entre 373 e 3.730 euros), originando modos de vida completamente distintos.

Pelo papel que interpreta no cenário económico global e de forma a evitar deliberações erróneas e entradas fracassadas no Império do Meio, o portal de tendências WGSN deixou os cinco passos-chave para perceber o consumidor chinês.

  1. Não ignorar o óbvio, reconhecer a diferença de conceitos

Os conceitos não são absolutos, tendem a ser subjetivos e dependentes da cultura ou grupo social. Associações históricas, conotações culturais e até mesmo a forma como uma categoria está estruturada são muito diferentes do ocidente.

Por exemplo, nos funerais chineses usa-se roupa branca, o dinheiro associa-se ao vermelho e os chapéus verdes têm uma conotação pejorativa (relacionada com a traição num casal), transformando-os numa escolha de moda incrivelmente impopular.

  1. Compreender a história e a cultura

Antes de se poder discutir as tendências de consumo chinesas é necessário compreender a história e a cultura do país. Hoje, a China é definida por forças opostas que se equilibram, pela tradição e pela alteração dos valores sociais vindos da exposição ao capitalismo e mercados estrangeiros. As influências atuais incluem a Europa, os EUA, o Japão e a Coreia.

  1. Prestar atenção ao que se vê e ouve

São várias as informações negativas divulgadas em relação à China, que podem oscilar entre histórias mal escritas e investigadas ​​de tom colonial até à censura dos órgãos de comunicação social.

É importante ler tudo o que se escreve sobre o país com uma postura crítica, porque o mais provável é estar-se a contactar apenas com metade da história. O mesmo vale para o que se ouve de locais e expatriados. Cada grupo conta, normalmente, uma versão da história que tem por base a sua classe social.

  1. Procurar pelo equivalente ocidental

Uma vez que os conceitos são muitas vezes opostos, a forma mais fácil de entender o consumidor chinês é, simplesmente, procurar um equivalente ocidental.

Todavia, as entradas iniciais no mercado, como as exportações americanas Starbucks e Nike, podem ter já definido o padrão chinês.

  1. Estabelecer pontos de contacto

Estabelecer pontos de contacto locais torna muito mais fácil entender o cliente chinês. Alguns nomes como o WeChat (aplicação móvel semelhante ao WhatsApp), o Dianping (semelhante ao Yelp), o Didi (semelhante ao Über), o Taobao (a plataforma de compras do Alibaba próxima da Amazon), o Alipay (semelhante ao Paypal) e o Weibo (a versão chinesa do Twitter) devem ser conhecidos de forma aprofundada antes de se ingressar naquele mercado.

A este propósito, a McKinsey China lançou um podcast em inglês de livre acesso que deixa algumas coordenadas económicas sobre o país. A Jing Daily tem um valor inestimável para o campo do luxo, enquanto a What’s On Weibo providencia informações sobre as redes sociais.

A infografia “This East meets West” de Yang Liu, que foi também publicada em livro, constitui um interessante guia para conhecer a China.